Uma técnica que utiliza a própria gordura do paciente para promover o rejuvenescimento da pele tem ganhado espaço em clínicas de cirurgia plástica e outras especialidades médicas. Conhecido como nanofat grafting, o procedimento consiste na remoção de tecido adiposo — geralmente da barriga, coxas ou costas — que, após passar por um rigoroso processo de filtragem e emulsificação, é aplicado de forma superficial na face para melhorar a textura e a firmeza da pele.
O processo técnico e a promessa de resultados
O método transforma a gordura coletada em um concentrado fluido e homogêneo. Segundo especialistas, esse material é rico em células-tronco e fatores de crescimento. O cirurgião plástico Ronaldo Righesso, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica que a técnica não tem como objetivo criar volume ou alterar os traços faciais, mas sim atuar na qualidade do tecido cutâneo, suavizando rugas finas e linhas de expressão.
Diferente da lipoenxertia convencional, que busca preencher áreas deprimidas, o nanofat utiliza apenas uma fração mínima da gordura coletada, entre 10% e 20%. Por essa característica, médicos ressaltam que o procedimento não substitui o uso de preenchedores de ácido hialurônico ou da toxina botulínica, funcionando, na verdade, como um tratamento complementar para a revitalização da pele.
Cautela e o alerta do Conselho Federal de Medicina
Apesar da popularidade crescente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) mantém uma postura cautelosa. A entidade alerta que, até o momento, não existem evidências científicas robustas que comprovem a superioridade do nanofat em relação a outros métodos já consolidados, como os bioestimuladores de colágeno. Para a conselheira federal Graziela Bonin, é preciso cuidado ao atribuir ao procedimento propriedades milagrosas de regeneração celular.
O CFM reforça que a maioria dos estudos disponíveis sobre o tema ainda é baseada em séries de casos pequenos, o que limita a compreensão sobre a eficácia e a segurança a longo prazo. Como o nanofat não foi submetido a um reconhecimento específico pela autarquia, ele é tratado na prática médica como uma variação da lipoenxertia, exigindo que o profissional tenha treinamento técnico especializado para realizar a intervenção.
Expansão para outras áreas da medicina
Embora tenha surgido na Bélgica, em 2013, com foco em correções estéticas e cicatrizes, o uso do nanofat tem se diversificado. Em áreas como a ortopedia, o procedimento tem sido explorado para auxiliar no tratamento de artrose, aproveitando o potencial anti-inflamatório do material. Na ginecologia, a técnica também passou a ser aplicada em tratamentos na região íntima.
A Anvisa, por sua vez, destaca que a responsabilidade sobre a indicação médica cabe ao CFM, enquanto a agência foca na regulamentação dos equipamentos e produtos utilizados. O órgão enfatiza que as clínicas devem seguir normas rigorosas de segurança, arquitetura e controle de qualidade para garantir a integridade do paciente durante o procedimento, que costuma ter custos iniciais a partir de R$ 5 mil.
Riscos e recomendações aos pacientes
Como qualquer intervenção cirúrgica, o nanofat não está isento de riscos. O pós-operatório pode incluir inchaço, vermelhidão e sensibilidade nas áreas de coleta e aplicação. Além disso, o procedimento é contraindicado para pacientes com infecções ativas ou condições de saúde graves. A recomendação principal da SBCP é que o paciente verifique a formação do médico e a infraestrutura da clínica antes de optar pelo tratamento.
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