O desfecho do julgamento que condenou o empresário Fernando Sastre a 17 anos, um mês e 10 dias de prisão pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana ganhou novos desdobramentos judiciais fora da condenação principal. Durante as sessões no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, o comportamento da defesa e de pessoas próximas ao réu gerou forte reação do Ministério Público e da magistratura, resultando em punições imediatas e na abertura de novas investigações criminais paralela ao processo principal.
O caso, que chocou a opinião pública devido à violência da colisão e às circunstâncias do pós-acidente, voltou a atrair os holofotes na reta final do Tribunal do Júri. A complexidade do caso envolveu dezenas de depoimentos, reviravoltas na linha de defesa e o confronto direto entre as teses da acusação e dos defensores do motorista do veículo de luxo envolvido na tragédia da Zona Leste da capital paulista.
Punição por tumulto e acusação de falso testemunho
A namorada do empresário, Giovana Pinheiro Silva, tornou-se alvo direto de sanções judiciais após adotar uma postura considerada inadequada durante a realização do julgamento. No último dia de sessão, na quinta-feira (29), ela acabou expulsa do plenário após fazer comentários em voz alta e expressões de deboche enquanto testemunhas de acusação prestavam seus depoimentos perante os jurados presentes na sala.
Diante da conduta inadequada, a Justiça atendeu a um pedido formal do Ministério Público e aplicou uma multa de 10 salários mínimos contra Giovana. Além da penalidade financeira, os promotores anunciaram a intenção de denunciá-la formalmente pelo crime de falso testemunho. A acusação aponta que ela reiteradamente sustentou que Fernando não havia ingerido bebida alcoólica antes da colisão, versão que acabou desmentida pelo próprio réu durante seu interrogatório no plenário.
Reviravolta no depoimento e admissão de embriaguez
Até então, a defesa de Fernando Sastre baseava-se na negativa veementemente sustentada de que ele estaria sóbrio no momento em que o Porsche bateu na traseira do Renault Sandero dirigido pela vítima. No entanto, o cenário mudou radicalmente quando o próprio réu decidiu abrir mão da antiga versão durante o segundo dia de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda.
Emocionado e diante dos jurados, o empresário confessou publicamente que havia consumido bebida alcoólica no dia do acidente ocorrido em 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. Laudos técnicos do Instituto de Criminalística já haviam apontado que o veículo de luxo trafegava a cerca de 136 km/h em uma via cujo limite regulamentar era de 50 km/h, consolidando a tese de direção perigosa e sob influência de álcool defendida pela acusação desde a fase de inquérito.
Questionamentos sobre a atuação policial e pericial
O julgamento também colocou sob escrutínio a conduta de agentes públicos e profissionais contratados para atuar no caso. A policial militar Daisy Aparecida Cardoso Romão prestou esclarecimentos sobre a liberação de Fernando do local da batida sem a realização do teste do bafômetro. Segundo o seu relato, ela permitiu que a mãe do empresário o levasse sob a alegação de atendimento médico devido a um sangramento no nariz, mas o suspeito acabou não sendo localizado nas unidades de saúde indicadas posteriormente.
Paralelamente, o perito criminal Alfredo Vieira das Neves, contratado pela família de Sastre, enfrentou questionamentos incisivos do Ministério Público a respeito de sua análise técnica sobre a dinâmica da colisão. A acusação apontou divergências nas imagens utilizadas e solicitou a apuração de suposta falsidade ideológica, abrindo frentes adicionais de investigação que continuarão tramitando na Justiça paulista.
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