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Tempo ao ar livre é escudo contra o avanço da miopia infantil, alertam especialistas

Tempo ao ar livre é escudo contra o avanço da miopia infantil, alertam especialistas
© COB/Divulgação

O aumento da miopia entre crianças e adolescentes tem se tornado uma preocupação crescente para a saúde pública no Brasil e no mundo. Em resposta a esse cenário, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançaram a cartilha “Mais Tempo ao Ar Livre, Mais Saúde para os Olhos”. A iniciativa, apresentada durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), em Salvador, visa alertar famílias e profissionais de saúde sobre a forte associação entre o problema visual, o uso excessivo de telas e a baixa exposição à luz natural.

O material educativo busca oferecer um guia prático e acessível, composto por medidas simples que podem ser facilmente incorporadas à rotina diária, auxiliando no enfrentamento e na prevenção da progressão da miopia. A ação reforça o compromisso das entidades em promover a saúde ocular desde a infância, um período crucial para o desenvolvimento da visão.

Aumento da miopia e o alerta dos oftalmologistas

A miopia, condição em que a visão para longe é embaçada, tem apresentado uma incidência alarmante nas últimas décadas, especialmente entre os mais jovens. Oftalmologistas de todo o país observam essa tendência e alertam para as consequências a longo prazo, que podem ir além da necessidade de óculos, impactando a qualidade de vida e o desempenho escolar das crianças.

A cartilha “Mais Tempo ao Ar Livre, Mais Saúde para os Olhos” foi desenvolvida com o objetivo de alcançar um público amplo, incluindo pacientes, familiares, profissionais de saúde e educação, e organizações atuantes nesses campos. Sua distribuição estratégica para secretarias de Saúde e Educação em todo o país demonstra a intenção de disseminar o conhecimento e as boas práticas em escala nacional, transformando o alerta em ação concreta.

O poder da luz natural e o combate à progressão da doença

A principal recomendação dos especialistas é clara: crianças e adolescentes devem passar, no mínimo, duas horas por dia ao ar livre. Essa prática inclui uma variedade de atividades, desde brincadeiras espontâneas e caminhadas até a prática de esportes e o simples contato com a natureza. O CBO enfatiza que a exposição à luz natural atua como um fator protetor crucial contra o desenvolvimento e a progressão da miopia.

A lógica por trás dessa orientação é que o tempo passado ao ar livre naturalmente reduz as horas dedicadas a atividades em ambientes fechados, que frequentemente envolvem o foco prolongado em objetos próximos, como as telas de computadores e celulares. Segundo o conselho, não há necessidade de grandes investimentos em ferramentas ou medicamentos; a solução reside na criatividade e no aproveitamento das possibilidades que o ambiente externo oferece.

Limites de tela e hábitos saudáveis para a visão

Além de incentivar o tempo ao ar livre, a cartilha estabelece diretrizes claras para o uso de telas, adaptadas a cada faixa etária. Essas recomendações visam proteger o sistema visual em formação, que é mais vulnerável em crianças menores. Os limites considerados ideais pelos especialistas são:

  • Nenhum tempo de tela para menores de 2 anos;
  • Até uma hora por dia para crianças entre 2 e 5 anos;
  • Até duas horas por dia para crianças entre 5 e 10 anos;
  • Até três horas por dia para crianças e adolescentes de 10 a 18 anos.

Outras orientações importantes incluem a realização de pausas regulares durante atividades de perto, a manutenção de uma distância adequada dos dispositivos eletrônicos e o uso de proteção solar quando exposto ao sol. Essas medidas, em conjunto, formam um conjunto de hábitos que podem fazer uma diferença significativa na prevenção e controle da miopia infantil.

Projeto Pequenos Olhares: ação prática em favor da saúde ocular

O lançamento da cartilha ocorreu em um contexto de ação prática: a 5ª edição do Projeto Pequenos Olhares CBO. Durante o congresso em Salvador, cerca de mil crianças e adolescentes foram atendidos por médicos voluntários. O projeto ofereceu consultas e exames de diagnóstico, além da distribuição gratuita de óculos para aqueles que necessitavam de correção visual.

Essa iniciativa demonstra o compromisso do Conselho Brasileiro de Oftalmologia em ir além da conscientização, proporcionando acesso direto a cuidados oftalmológicos essenciais para a população infantojuvenil. O Projeto Pequenos Olhares é um exemplo concreto de como a colaboração entre profissionais e a comunidade pode gerar um impacto positivo e duradouro na saúde ocular das futuras gerações.

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