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Metformina pode frear perda de visão por idade, indica estudo

Blackday/Adobe Stock
Reprodução Folha

Uma nova esperança para a saúde ocular

Um medicamento amplamente conhecido no tratamento do diabetes tipo 2, a metformina, pode ter um efeito protetor inesperado: a redução da progressão da degeneração macular relacionada à idade (DMRI). A descoberta, publicada na revista BMJ Open Ophthalmology, sugere que o fármaco, acessível e de uso comum, pode atuar como um aliado na preservação da visão de idosos.

O estudo acompanhou cerca de 2.000 pacientes durante cinco anos. Os resultados apontaram uma redução de 37% no avanço da DMRI em estágios intermediários entre os usuários do medicamento. Esse dado foi obtido após ajustes que consideraram variáveis como idade, sexo, controle glicêmico e a presença de retinopatia diabética, isolando o possível efeito do fármaco sobre a condição ocular.

Entendendo a degeneração macular

A DMRI é uma das principais causas de perda de visão em pessoas com mais idade. A doença atinge a mácula, área central da retina responsável pela visão de detalhes, leitura e reconhecimento de rostos. Ela se manifesta de duas formas: a seca, que é mais comum e de evolução lenta, e a úmida, que é mais agressiva e envolve o crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina.

Fatores como envelhecimento, genética, tabagismo, hipertensão e colesterol elevado são gatilhos conhecidos para o desenvolvimento da patologia. A possibilidade de um medicamento já existente ajudar a frear esse processo abre caminhos importantes para a medicina preventiva, embora especialistas reforcem que os resultados atuais são baseados em observação e não em causa e efeito direto.

Mecanismos biológicos e proteção celular

A explicação para esse benefício reside na forma como a metformina atua no organismo. Além de regular a glicose, o remédio influencia processos celulares ligados ao envelhecimento, como a redução do estresse oxidativo e da inflamação. A retina, por ser um tecido de alta demanda metabólica, é particularmente vulnerável a esses danos.

Especialistas explicam que a metformina pode ativar a via AMPK, um mecanismo de regulação energética que auxilia na limpeza e sobrevivência das células. Esse processo favorece a proteção dos fotorreceptores e do epitélio pigmentar da retina, melhorando a função mitocondrial e oferecendo uma barreira natural contra a degeneração progressiva.

O futuro do tratamento e a cautela necessária

Apesar do entusiasmo, a comunidade científica mantém a cautela. O principal autor do estudo, o oftalmologista Nicholas Beare, da Universidade de Liverpool, ressalta que o trabalho é observacional. Para confirmar a eficácia, seriam necessários ensaios clínicos randomizados, comparando o uso da substância com placebos em populações mais amplas.

Enquanto a ciência avança, a indústria farmacêutica já explora novas vias. A empresa Curative Biotech, nos Estados Unidos, desenvolve uma versão reformulada da metformina para aplicação local, como colírios ou injeções intraoculares, visando entregar o fármaco diretamente no local afetado. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de terapias para a DMRI seca, que ainda carece de tratamentos tão eficazes quanto os disponíveis para a forma úmida.

Prevenção e acompanhamento médico

Enquanto novos estudos não definem o papel definitivo da metformina, a recomendação médica permanece inalterada: o controle rigoroso dos fatores de risco. Manter uma dieta equilibrada, controlar o peso, a pressão arterial e evitar o tabagismo são as medidas mais eficazes para retardar a progressão da doença.

O acompanhamento oftalmológico periódico é indispensável para a detecção precoce e o manejo adequado da saúde ocular. O M1 Metrópole continua acompanhando as atualizações sobre este e outros temas de saúde, trazendo sempre informações fundamentadas para que você possa cuidar do seu bem-estar com segurança. Continue conosco para mais notícias relevantes e análises aprofundadas sobre o que impacta a sua vida.

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