PUBLICIDADE

Meta enfrenta julgamento histórico por vício e danos à saúde mental de adolescentes

Meta enfrenta julgamento histórico por vício e danos à saúde mental de adolescentes
Menu Assine Folha de São Paulo - marca do jornal na navegação principal Ir para o conteúdo [1] Ir para o menu [2] Ir para o rodapé [3] Entrar Entrar | Sair Buscar Equilíbrio todas corpo mente família beleza sexo relacionamentos pets dê um conteúdo benefício do assinante

Um julgamento de proporções históricas teve início nesta terça-feira (18), em um tribunal federal em Oakland, nos Estados Unidos, colocando a gigante da tecnologia Meta no centro de uma disputa jurídica sem precedentes. Uma coalizão de estados americanos acusa a empresa de Mark Zuckerberg de projetar deliberadamente o Facebook e o Instagram para fomentar a dependência entre o público jovem, ignorando os impactos negativos na saúde mental de milhões de usuários.

A acusação, liderada por procuradores-gerais de estados como Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey, busca uma reparação financeira astronômica de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,04 trilhão). O argumento central da promotoria é que a companhia priorizou o lucro e o engajamento em detrimento do bem-estar dos menores, utilizando algoritmos desenhados para explorar vulnerabilidades do cérebro adolescente.

A estratégia de negócios sob escrutínio judicial

Durante a abertura dos trabalhos, a promotora-geral adjunta da Califórnia, Megan O’Neill, foi incisiva ao descrever o que chamou de um modelo de negócios predatório. Segundo a acusação, a empresa opera em um ciclo de quatro etapas: atrair o usuário, maximizar o tempo de permanência na plataforma, coletar dados massivos e, por fim, ocultar os riscos reais do público e dos órgãos reguladores.

A defesa da Meta, por sua vez, nega categoricamente as alegações. Representantes da empresa sustentam que a organização tem colaborado ativamente com especialistas, pais e autoridades para implementar ferramentas de proteção e controle parental. O argumento central dos advogados é que a empresa reconhece os desafios inerentes ao uso das redes sociais e tem investido no desenvolvimento de recursos para mitigar possíveis dificuldades dos usuários.

Paralelos com a indústria do tabaco

Especialistas jurídicos, como o professor Vincent Joralemon, da Universidade de Berkeley, apontam semelhanças marcantes entre este processo e as ações judiciais movidas contra a indústria do tabaco na década de 1990. Assim como ocorreu com as fabricantes de cigarros, o foco da acusação contra a Meta reside na responsabilidade corporativa e na minimização deliberada dos danos causados por seus produtos.

O acordo histórico de 1998, que obrigou as empresas de tabaco a pagarem mais de US$ 176 bilhões (R$ 916 bilhões) em compensações, serve como um precedente que assombra o setor de tecnologia. O caso atual não busca apenas multas bilionárias, mas também exige mudanças estruturais nos aplicativos, como limites rigorosos de tempo de uso e alterações nas funções que promovem o vício.

Impacto social e o futuro das redes sociais

Do lado de fora do tribunal, o clima é de mobilização. Famílias que relatam tragédias pessoais, incluindo casos de suicídio que associam ao uso das plataformas, exigem que a Meta preste contas. A expectativa é que o julgamento, com duração prevista de seis semanas, conte com depoimentos de figuras centrais como Mark Zuckerberg e o diretor do Instagram, Adam Mosseri.

Este processo é visto como o primeiro de uma possível onda de litígios que deve atingir outras gigantes, como TikTok, Snapchat e YouTube. O veredicto, esperado para outubro, pode redefinir a forma como a tecnologia interage com a infância e a adolescência no século XXI, estabelecendo novos marcos regulatórios para a indústria digital.

O M1 Metrópole segue acompanhando de perto os desdobramentos deste julgamento e seus impactos globais. Para se manter informado sobre as mudanças na regulação das big techs e os debates sobre tecnologia e sociedade, continue acompanhando nosso portal, onde trazemos diariamente análises aprofundadas e notícias com o rigor que você exige.

Leia mais

PUBLICIDADE