O Ministério Público de São Paulo apontou, nas alegações finais do processo contra o influenciador e empresário Renato Cariani, que mensagens extraídas de seu celular revelam uma relação de proximidade com um policial civil. De acordo com a Promotoria, o objetivo do contato era monitorar e tentar frear o andamento de uma investigação anterior sobre a indústria química da qual ele é sócio, situada em Diadema, na Grande São Paulo.
A documentação apresentada pelos promotores reforça os argumentos do processo que pede a condenação do influenciador por crimes graves, incluindo tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. O material digital é apontado pela acusação como uma peça central para demonstrar a tentativa de barrar o avanço de apurações passadas.
Troca de mensagens e detalhes do inquérito anterior
De acordo com o Ministério Público, as conversas indicam que Renato Cariani recebia informações privilegiadas sobre diligências conduzidas pela polícia e buscava detalhes sobre o inquérito que tramitou na 2ª Vara Criminal de Diadema e foi arquivado em 2023. Os registros mostram que o influenciador mantinha contato direto com o policial civil André Dziuba, apontado como um servidor vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos.
Os trechos destacados pela acusação abarcam conversas de diferentes anos. Em registros de 2021 e 2022, o investigador tratava de oitivas e informava sobre o andamento de apurações ligadas a transações envolvendo a farmacêutica AstraZeneca. Em um dos diálogos de setembro de 2022, após Cariani questionar sobre o encerramento do caso, o agente mencionou ter elaborado um relatório para induzir o delegado a não realizar novas diligências, o que culminou na comemoração das partes quando o procedimento foi arquivado.
Pedido de condenação e penas previstas
A manifestação do Ministério Público representa a etapa final antes da sentença em primeira instância. Além de Renato Cariani, a Promotoria pediu a condenação de Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes, enquanto recomendou a absolvição de outros citados no processo por insuficiência de provas. Em caso de condenação integral, o cálculo das penas somadas pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado, considerando o entendimento de continuidade delitiva em dezenas de infrações.
A defesa do empresário sustentou que o pedido de condenação não surpreende e que demonstrará ao longo da instrução processual a improcedência das teses da acusação. Cariani, que responde ao processo em liberdade, tornou-se réu em fevereiro de 2024 após investigações conduzidas pela Polícia Federal durante a Operação Hinsberg, deflagrada inicialmente em dezembro de 2023.
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