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Memória eleitoral: 38% dos brasileiros não recordam voto para governador em 2022, aponta Datafolha

30.out.22/Folhapress
30.out.22/Folhapress

Uma recente pesquisa Datafolha revelou um dado intrigante sobre a memória política dos brasileiros: mais de um terço da população, precisamente 38% dos eleitores, afirma não se recordar em quem votou para governador nas eleições de 2022. O levantamento, conduzido entre os dias 17 e 18 de junho, entrevistou 1.898 eleitores com 20 anos ou mais, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em contraste, a recordação do voto para a Presidência da República no mesmo pleito é significativamente maior. Apenas 7% dos entrevistados declararam não se lembrar de sua escolha para o cargo máximo do Executivo federal, evidenciando uma distinção clara na forma como os eleitores processam e retêm informações sobre diferentes níveis de disputa eleitoral.

A Memória Seletiva do Voto

Os números do Datafolha trazem à tona um fenômeno de memória seletiva no eleitorado brasileiro. Enquanto a esmagadora maioria (85%) recorda seu voto para presidente, apenas 54% conseguem lembrar quem escolheram para governar seus estados. Além disso, 9% afirmaram não ter votado em ninguém para governador, e 8% para presidente.

Essa disparidade sugere que a atenção e o engajamento do eleitorado podem variar consideravelmente entre as esferas federal e estadual. A polarização intensa que marcou a eleição presidencial de 2022, com a disputa acirrada entre Lula e Bolsonaro, pode ter contribuído para uma fixação mais forte da memória em relação a esse pleito.

Perfis Demográficos e a Recordação do Voto

A pesquisa detalha que o esquecimento do voto para governador não é uniforme em todos os segmentos da população. Mulheres (46%) apresentam um índice de não recordação maior do que homens (28%). Da mesma forma, a faixa etária dos 20 aos 24 anos é a que mais esquece (45%), enquanto os eleitores entre 45 e 59 anos são os que mais se lembram (63%).

Esses dados podem indicar diferentes níveis de envolvimento com a política estadual ou a forma como cada grupo demográfico consome e processa informações eleitorais. Fatores como a carga de responsabilidades diárias, o acesso a diferentes mídias e o interesse em pautas mais locais podem influenciar a retenção da memória do voto.

Polarização e Fidelidade Partidária na Lembrança

A afiliação partidária também se mostra um fator relevante na capacidade de recordação. Entre os eleitores que declaram preferência pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, 76% se recordam do voto para governador, contra 52% dos que manifestam preferência pelo PT, sigla do presidente Lula.

Para o voto presidencial, a diferença é ainda mais acentuada, refletindo a polarização nacional. 97% dos simpatizantes do PL afirmaram se recordar de suas escolhas, enquanto 90% dos do PT também o fizeram. Esses números reforçam como a identificação partidária e a intensidade da disputa presidencial de 2022, que viu Lula vencer por uma margem apertada de 50,9% a 49,1%, impactam a memória eleitoral.

É importante lembrar que as eleições para o governo estadual em 2022 avançaram para o segundo turno em 12 das 27 unidades federativas, demonstrando a complexidade e a relevância dessas disputas, mesmo que menos lembradas.

O Peso do Voto Estadual e as Eleições Futuras

O esquecimento do voto para governador levanta questões sobre a percepção da importância das eleições estaduais. Governadores têm um papel fundamental na gestão de áreas como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, impactando diretamente o cotidiano dos cidadãos. A menor recordação pode sinalizar um desengajamento com a política local ou uma priorização da esfera federal.

A pesquisa Datafolha, registrada no TSE (Superior Tribunal Eleitoral) sob o número BR-09956/2026, também trouxe dados sobre as intenções de voto para a Presidência em 2026, mostrando Lula com 41% e Flávio Bolsonaro (PL) com 31% no primeiro turno. Curiosamente, 87% dos que pretendem votar em Lula em 2026 lembram seu voto de 2022, e 93% dos que declaram voto em Flávio Bolsonaro também recordam.

Esses dados sugerem que, embora o voto para governador possa ser mais facilmente esquecido, a memória das grandes disputas nacionais e as preferências partidárias tendem a persistir, moldando o cenário político para os próximos pleitos. O fenômeno do esquecimento eleitoral é um campo fértil para a análise de cientistas políticos e sociólogos, que buscam compreender a dinâmica da participação cívica e da formação da opinião pública no Brasil. Para mais informações sobre o processo eleitoral, consulte o site do Tribunal Superior Eleitoral.

Para continuar acompanhando as análises mais aprofundadas sobre política, economia e sociedade, fique ligado no M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada para que você esteja sempre bem-informado sobre os acontecimentos que impactam o Brasil e o mundo.

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