A expectativa para a Copa do Mundo de 2026, que será sediada no Canadá, México e Estados Unidos, cresce à medida que a data da estreia do Brasil se aproxima. O primeiro grande desafio da seleção brasileira será contra Marrocos, em um confronto marcado para o próximo sábado, 13 de junho, às 19h (horário de Brasília), em Nova Jersey. Este jogo promete ser um dos mais aguardados da fase de grupos, colocando frente a frente uma das potências tradicionais do futebol mundial contra a equipe que se tornou a grande sensação do torneio anterior.
Marrocos, apelidado de Leões do Atlas, chega ao Mundial de 2026 como atual campeão da Copa Africana de Nações, o mais importante campeonato do continente. A seleção marroquina não é apenas um destaque regional, mas global, após sua campanha histórica na Copa do Catar em 2022. Naquela edição, o time surpreendeu o mundo ao alcançar o quarto lugar, um feito inédito para uma seleção africana, superando inclusive o Brasil, que terminou em sétimo após ser eliminado pela Croácia nos pênaltis. Para mais detalhes sobre a trajetória marroquina, você pode conferir a notícia original da Agência Brasil: Copa: Brasil estreia contra Marrocos, que surpreendeu o mundo em 2022.
Marrocos: a ascensão dos Leões do Atlas e o desafio para o Brasil
A campanha de Marrocos em 2022 foi verdadeiramente memorável. Ao se tornar a primeira seleção do continente africano a chegar a uma semifinal de Mundiais, os Leões do Atlas conquistaram a torcida de diversas partes do planeta. No Catar, a equipe foi eliminada pela França, que viria a ser vice-campeã, após uma derrota em um jogo disputado.
A historiadora e comentarista esportiva da TV Brasil, Rachel Motta, enfatiza a relevância desse desempenho. “O Marrocos fez uma campanha histórica em 2022”, lembrou Motta, avaliando que a seleção marroquina será um adversário desafiador para o Brasil. Ela destaca a presença de Achraf Hakimi, um dos melhores laterais da história, que atua pelo Paris Saint-Germain (PSG), como um ponto forte crucial para os africanos.
Motta pontua que a seleção brasileira enfrenta muitos problemas no lado esquerdo de sua defesa, o que pode ser explorado por Hakimi. O lateral será bastante acionado no jogo, pressionando o ataque brasileiro, principalmente Vinicius Júnior, que atua pela esquerda. A vitória na estreia é fundamental, pois a liderança na chave pode oferecer uma vantagem estratégica no cruzamento do mata-mata, fase anterior às oitavas de final. Brasil e Marrocos estão no Grupo C, que também inclui Escócia e Haiti.
Copa expandida: a força inédita das seleções africanas
A Copa do Mundo de 2026 marca uma nova era para o futebol mundial, com a expansão do torneio para 48 seleções, 16 a mais que na última edição. Essa mudança resultou em uma presença inédita de dez seleções africanas na disputa pelo título. Além de Marrocos, o continente será representado por África do Sul, Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Egito, Gana, República Democrática do Congo, Senegal e uma décima seleção a ser definida.
O Mundial terá sua abertura nesta quinta-feira, 11 de junho, com o confronto entre México e África do Sul, às 16h (horário de Brasília), no Estádio Azteca, na Cidade do México. Os sul-africanos retornam ao torneio após um hiato de 16 anos, tendo sua última participação como país-sede em 2010, na primeira Copa realizada em solo africano.
Rachel Motta ressalta que a diversidade é um dos pontos positivos desta edição, evidenciando a crescente valorização dos jogadores africanos. Muitos desses atletas ganham cada vez mais espaço no futebol europeu, elevando o nível técnico de suas seleções. Além disso, diversas equipes africanas têm recorrido a descendentes que nasceram ou moram fora de seus países de origem, formando as chamadas “seleções da diáspora”, um termo que reflete a dispersão de pessoas africanas pelo mundo e sua contribuição para o esporte.
Destaques e retornos: Egito, Senegal, Gana e Argélia
Além de Marrocos e África do Sul, outras seleções do continente africano prometem dar trabalho no Mundial. Rachel Motta destaca o potencial de equipes como Senegal, Gana e Egito. O amistoso entre brasileiros e egípcios, realizado no último sábado, 6 de junho, serviu para evidenciar a qualidade dos Faraós, como são conhecidos.
“Eles têm jogadores de ponta, como o atacante Mohamed Salah e o ponta-direita Mahmoud Trezeguet, e chances sim de ir para a próxima fase”, projetou a comentarista. O Egito, pioneiro na matemática e a primeira nação africana e árabe a disputar o Mundial em 1934, na Itália, retorna à Copa após ficar de fora da última edição.
Senegal, por sua vez, disputa o Mundial pela quarta vez e contará com a estrela Sadio Mané, referência do esporte no país. A equipe chega com a experiência de três Copas consecutivas e a memória da bem-sucedida campanha de 2002, quando alcançou as quartas de final. No entanto, Motta pondera: “O Senegal é uma seleção de ótimo nível, porém, enfrenta uma das chaves mais difíceis, disputando contra França e Noruega”.
Gana, que participa consecutivamente da Copa, busca superar ou igualar seu desempenho de 2010, quando chegou às quartas de final. A seleção, apelidada de Estrelas Negras, foi eliminada pelo Uruguai em um episódio controverso, com o pênalti perdido por Gyan após a intervenção de Luis Suárez. “São jogadores muito habilidosos, raçudos, com um futebol bonito de ver”, ressaltou Motta, lembrando que Gana já foi comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira no final da década de 1960.
A Argélia, conhecida como Raposa do Deserto, disputou seu último Mundial no Brasil em 2014. A seleção protagonizou uma partida épica nas oitavas de final contra a Alemanha, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, exigindo grande esforço do goleiro adversário, apesar da derrota por 2 a 1.
Novos horizontes e as controvérsias da Copa 2026
Esta edição da Copa do Mundo também celebra a presença de seleções estreantes ou com menos experiência no torneio, enriquecendo a diversidade da competição. Cabo Verde, um país insular no Oceano Atlântico, chega com sua seleção apelidada de Tubarões Azuis, impulsionada por jogadores oriundos da diáspora, muitos atuando na Europa, e com alta autoestima.
A República Democrática do Congo retorna ao Mundial após mais de 50 anos, superando desafios como a epidemia de ebola no país. A classificação veio após a vitória contra a Jamaica na repescagem, marcando um retorno significativo para uma nação que antes competia como Zaire.
Apesar do bom momento e da valorização do futebol africano, Rachel Motta alerta para adversidades que delegações e profissionais podem encontrar. No início desta semana, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado um dos principais nomes da arbitragem africana, teve sua entrada negada nos Estados Unidos. Este incidente levanta questões éticas sobre a escolha da sede.
“Os Estados Unidos estão em guerra com outro país, o Irã, então, se a gente for pegar pelos artigos que tratam de ética, os regulamentos da Fifa e a própria Carta da ONU [Organização das Nações Unidas], que dizem promover direitos humanos e a paz através do futebol, os Estados Unidos não poderiam sediar uma Copa do Mundo”, argumentou a historiadora, trazendo uma perspectiva crítica sobre a geopolítica e o esporte.
A Copa do Mundo de 2026 promete ser um torneio de grandes emoções e surpresas, com a participação histórica de seleções africanas e desafios táticos para os gigantes do futebol. Para não perder nenhum lance e continuar acompanhando as análises aprofundadas, notícias e desdobramentos deste e de outros eventos importantes, mantenha-se conectado ao M1 Metrópole. Nosso compromisso é oferecer informação relevante, atual e contextualizada, abrangendo uma vasta gama de temas para manter você sempre bem informado.