O salto do turismo brasileiro e a gestão da Embratur
O setor de turismo no Brasil atingiu marcas históricas durante a atual gestão federal, superando a barreira dos 9 milhões de visitantes estrangeiros em 2025. Segundo Marcelo Freixo, ex-presidente da Embratur, esse desempenho é reflexo direto de uma mudança de paradigma na condução da agência, que abandonou práticas de ocupação política para adotar uma gestão baseada em dados e eficiência técnica.
Freixo, que esteve à frente da autarquia durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, destaca que a profissionalização do órgão foi o pilar central para a retomada do fluxo turístico. O ex-gestor afirma que, no período anterior, a agência funcionava como um “cabide de empregos”, sem foco em resultados concretos ou inteligência de mercado. A implementação de um centro de dados inédito permitiu, segundo ele, direcionar investimentos e campanhas de promoção internacional com precisão, elevando o patamar do país como destino global.
Diplomacia e imagem externa como motores do setor
Além da reestruturação interna, o ex-presidente da Embratur atribui o sucesso do turismo à recuperação das relações diplomáticas brasileiras. O cenário atual contrasta, na visão de Freixo, com o período do governo Jair Bolsonaro, marcado por atritos internacionais e pelo que classifica como “negacionismo climático”.
O impacto da imagem do Brasil no exterior é direto, especialmente na Europa. “Na Europa hoje há um consenso de que os turistas se deslocam para países que têm responsabilidade climática”, pontua Freixo. A normalização das relações com nações estratégicas, como a França, facilitou a abertura de novas rotas aéreas, como os voos diretos para Fortaleza e Salvador, essenciais para descentralizar o turismo e fomentar economias regionais.
O embate sobre a privatização de espaços públicos
Em meio ao debate eleitoral, Freixo manifestou preocupação com as propostas defendidas pelo campo político de Flávio Bolsonaro. Enquanto o governo atual defende parcerias público-privadas focadas em infraestrutura, como a modernização de aeroportos, o ex-gestor alerta para uma visão que, segundo ele, prioriza a entrega de bens comuns ao setor privado.
O ponto central da crítica reside na possível privatização de praias. Para Freixo, essa pauta representa uma ameaça ao livre acesso da população ao litoral, um direito que ele considera inegociável. A discussão coloca em lados opostos a visão de gestão pública do turismo e a agenda de desestatização defendida por seus adversários, tornando o tema um dos eixos de divergência neste segundo turno das eleições.
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