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Lula e artistas no Rio: apelos contra bets, críticas a Trump e vaia a aliado agitam palco

Lula e artistas no Rio: apelos contra bets, críticas a Trump e vaia a aliado agitam palco
Eduardo Anizelli/Folhapress

Um evento de campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no Rio de Janeiro em 23 de setembro de 2026, reuniu uma constelação de artistas e foi palco de intensos debates e manifestações políticas. A noite na Fundição Progresso, no centro da cidade, destacou-se por apelos veementes contra as plataformas de apostas esportivas, críticas diretas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e um momento de tensão com vaias direcionadas a um aliado local do governo.

A presença de ícones da cultura brasileira como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Daniela Mercury, Zeca Pagodinho e Marieta Severo conferiu ao ato um caráter vibrante, misturando arte e política. O encontro serviu como um termômetro das pautas que mobilizam tanto a base de apoio do presidente quanto setores da sociedade civil.

Artistas e a Pauta Contra as Apostas Esportivas no Palco Carioca

Um dos pontos altos da noite foi a união de vozes contra as plataformas de apostas esportivas, popularmente conhecidas como “bets”. A cantora Daniela Mercury, em um discurso improvisado e carregado de emoção, classificou as bets como uma “bomba” e sugeriu que sua proliferação estaria “desmanchando o Brasil”. Seu apelo por uma proibição total ressoou entre os presentes, evidenciando uma preocupação crescente com os impactos sociais desses jogos.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), também reforçou a pauta, destacando o pioneirismo da cidade em proibir as plataformas em locais públicos. Em sua fala, Cavaliere previu que a proibição das bets seria uma das primeiras medidas de Lula após a reeleição, afirmando que a reação popular contra elas seria a mesma em qualquer ambiente, seja uma igreja, uma fábrica ou um lar brasileiro.

Em resposta aos apelos, o presidente Lula reiterou seu compromisso de banir as apostas esportivas, criticando abertamente os clubes de futebol que se opõem à medida. Ele mencionou a aprovação das SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) como um caminho para que os times se profissionalizem e se tornem “times de empresários”, sem depender das receitas das bets. “Essa não é uma guerra, é uma decisão. Nós vamos acabar com as bets. Isso também é cultura”, declarou Lula, sinalizando uma postura firme do governo sobre o tema.

O Discurso Internacional de Lula e o Contraponto a Trump

Além das questões domésticas, o evento também foi plataforma para Lula abordar o cenário internacional. O presidente aproveitou a ocasião para comentar seu recente discurso na Organização das Nações Unidas (ONU) e traçar um contraponto direto com a retórica de Donald Trump. Lula criticou a fala do ex-presidente americano, que, segundo ele, se pautava na exaltação do poderio militar dos Estados Unidos.

A fala de Lula na Fundição Progresso reforçou sua intenção de disputar a narrativa global, posicionando o Brasil como um ator que defende o desenvolvimento e a cooperação, em oposição a uma visão de mundo baseada na força e na hegemonia. Esse posicionamento, em um evento cultural no Rio, demonstra a amplitude da agenda política do presidente, que busca dialogar com diferentes públicos sobre temas que transcendem as fronteiras nacionais.

A Complexidade das Alianças: Vaias a Aliado no Rio

A noite, no entanto, não foi isenta de momentos de tensão. O prefeito Eduardo Cavaliere, apesar de ter defendido a pauta de Lula contra as bets, foi alvo de vaias da plateia ao defender o voto em Pedro Paulo (PSD) para o Senado. Pedro Paulo, embora faça parte da base aliada do presidente, parece não ter a mesma aceitação entre todos os setores presentes no evento.

Este episódio sublinha a complexidade das alianças políticas e a diversidade de opiniões dentro de uma mesma base de apoio. Em um cenário eleitoral, mesmo aliados próximos podem enfrentar resistências, revelando as nuances e as expectativas específicas do eleitorado. A reação da plateia carioca indica que o apoio a um projeto político maior não se traduz automaticamente em endosso a todos os nomes e propostas de uma chapa.

A discussão sobre a regulamentação das apostas esportivas no Brasil tem sido intensa, envolvendo aspectos econômicos, sociais e éticos. A sanção da lei que regulamenta o setor em dezembro de 2023, por exemplo, trouxe um novo capítulo a esse debate, mas a promessa de Lula de “acabar com as bets” sugere uma abordagem ainda mais restritiva ou até mesmo a reversão de parte dessa regulamentação, caso seja reeleito.

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