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Envelhecimento saudável: como a ciência redefine a longevidade além do RG

Envelhecimento saudável: como a ciência redefine a longevidade além do RG
Reprodução Folha

A nova perspectiva sobre o envelhecimento

O conceito de envelhecimento passa por uma transformação profunda na sociedade contemporânea. Longe de ser apenas um processo de declínio inevitável, a longevidade ganha novos contornos através da intersecção entre a neurociência e a psicologia. A obra Longevidade Hoje, escrita pelas psicólogas Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky e publicada pela editora Fósforo, propõe uma reflexão necessária sobre como hábitos e mentalidade moldam a qualidade de vida nas décadas finais.

O livro utiliza exemplos práticos, como o da professora aposentada de arqueologia da USP, Haiganuch Sarian, que aos 87 anos mantém uma rotina ativa de pesquisas e viagens. Histórias como a dela servem para desconstruir estereótipos ultrapassados sobre o que significa ser idoso hoje. Segundo as autoras, a sociedade ainda opera com referências de gerações passadas, ignorando que os avanços da medicina e a mudança no estilo de vida ampliaram significativamente as possibilidades de atuação e bem-estar para essa faixa etária.

Idade cronológica versus idade subjetiva

Um dos pilares centrais da obra é a distinção entre a idade cronológica — o número registrado no documento de identidade — e a idade subjetiva, que representa a percepção interna de vitalidade. As autoras argumentam que a fixação na idade cronológica pode atuar como uma barreira psicológica, limitando o comportamento e as ambições do indivíduo através de frases autossabotadoras como “não tenho mais idade para isso”.

Ao adotar uma idade subjetiva mais jovem e engajada, o indivíduo retoma o controle sobre sua trajetória. Esse ajuste de perspectiva não é apenas um exercício de otimismo, mas uma forma de manter o cérebro em estado de prontidão e curiosidade. A ciência mostra que o descompasso entre a expectativa de vida real e a percepção cultural do envelhecimento é um dos maiores desafios para a saúde mental dos idosos modernos.

Neuroplasticidade e reserva cognitiva

O livro mergulha no funcionamento do cérebro para explicar por que a estagnação é o maior inimigo da longevidade. A neuroplasticidade, capacidade do cérebro de criar novas conexões neurais ao longo de toda a vida, é apresentada como uma ferramenta poderosa. Aprender um novo idioma, um instrumento musical ou dedicar-se a um hobby complexo são formas de manter o órgão ativo e resiliente.

Além disso, as autoras abordam os 14 fatores de risco modificáveis para o Alzheimer, enfatizando que escolhas diárias têm impacto direto na saúde neurológica. Entre as recomendações fundamentais estão a prática regular de atividade física e o abandono do tabagismo. Essas ações não servem apenas para prevenir doenças, mas para construir uma reserva cognitiva que protege a mente contra o declínio cognitivo, provando que o cérebro adulto mantém uma capacidade de aprendizado surpreendente.

Vida social como pilar de saúde

Manter uma rede de contatos ativa e engajada é outro ponto crucial destacado por Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky. O isolamento social é um fator de risco significativo para diversas patologias, enquanto a interação constante estimula funções cognitivas e emocionais. O envelhecimento saudável, portanto, é um projeto que une cuidado físico, estímulo intelectual e conexão humana.

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