A edição de 2026 da Copa Libertadores da América se aproxima de um marco inédito em sua rica história: a possibilidade de ter as quatro vagas nas semifinais ocupadas exclusivamente por clubes brasileiros. Para que este cenário se concretize, os quatro representantes do Brasil que seguem na disputa do principal torneio de clubes do continente sul-americano precisarão superar seus respectivos adversários nas quartas de final, em confrontos que prometem alta intensidade e emoção.
Este feito, que seria um testemunho do atual domínio do futebol brasileiro na região, nunca antes foi alcançado. Em edições anteriores, o máximo que se viu foram três equipes de um mesmo país na penúltima fase da competição, tornando a atual conjuntura um capítulo potencialmente revolucionário para a história da Libertadores.
Corinthians avança em jogo dramático e mantém sonho vivo
A classificação suada do Corinthians foi um dos pilares que tornou o cenário de semifinais 100% brasileiras uma realidade tangível. Na noite da última quinta-feira (20), o Timão demonstrou resiliência ao despachar o Rosario Central com uma vitória por 1 a 0 na Neo Química Arena, em São Paulo. O triunfo veio após um empate sem gols na Argentina, uma semana antes, onde os brasileiros já haviam enfrentado a adversidade de ter um jogador expulso, o volante Allan, a dez minutos do fim.
No jogo de volta, a equipe alvinegra novamente teve que lidar com um desfalque crucial. Aos 12 minutos da etapa final, o volante Raniele recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso após cometer uma falta no atacante Enzo Copetti, deixando o Corinthians com um a menos na maior parte do segundo tempo. Contudo, a garra prevaleceu. Aos 35 minutos, em um lance de bola parada, o atacante holandês Memphis Depay, em seu retorno à equipe após um longo processo de renovação contratual, cobrou uma falta pela esquerda. O volante Breno Bidon, bem posicionado na pequena área, desviou para marcar o gol decisivo que garantiu a vaga.
O próximo desafio do Corinthians será contra outro tradicional clube argentino, o Estudiantes, que eliminou a Universidad Católica do Chile. Devido à melhor campanha do adversário na fase de grupos, o time brasileiro terá o jogo de volta das quartas de final disputado fora de casa, adicionando um grau extra de dificuldade à sua jornada.
Os caminhos dos gigantes: Flamengo, Palmeiras e Fluminense
Além do Corinthians, outros três gigantes do futebol brasileiro seguem firmes na briga pelo título da Libertadores: Flamengo, Palmeiras e Fluminense. O Brasil iniciou as oitavas de final com seis representantes, mas Cruzeiro e Mirassol foram eliminados, respectivamente, pelo Rubro-Negro e pela LDU de Quito, do Equador.
O Flamengo, atual campeão da Libertadores e o único time brasileiro nas quartas que fará o jogo de volta em casa, vislumbra a possibilidade de um clássico nacional em uma eventual semifinal contra o Corinthians. Para isso, os cariocas precisam superar o vencedor do confronto entre Independiente del Valle e Tolima, o último duelo das oitavas de final a ser definido. Equatorianos e colombianos farão o segundo jogo na próxima terça-feira (25), às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Banco Guayaquil, em Quito. O Independiente del Valle venceu a partida de ida por 1 a 0 e o duelo foi atrasado devido a um terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na semana anterior.
O Palmeiras, vice-campeão em 2025, terá um confronto desafiador contra a LDU. Assim como ocorreu com o Mirassol, o Verdão terá que decidir a vaga longe de São Paulo, enfrentando os 2.850 metros de altitude de Quito, um fator que historicamente impõe dificuldades aos times brasileiros. A equipe equatoriana teve uma campanha superior na fase de grupos, o que lhe garantiu o mando de campo na segunda partida.
Se avançar, o time alviverde poderá ter o Fluminense como adversário em uma das semifinais. O Tricolor das Laranjeiras, por sua vez, enfrentará o Platense, outro clube argentino que, assim como os cariocas, precisou dos pênaltis para despachar o Coquimbo Unido do Chile na fase anterior.
Antecedentes históricos e o sonho do domínio total
Até o momento, a Libertadores registrou no máximo três clubes de um mesmo país simultaneamente nas semifinais, um feito que ocorreu em apenas duas ocasiões. A primeira foi em 1966, quando o futebol argentino emplacou River Plate, Boca Juniors e Independiente. Naquela edição, a fase semifinal foi disputada por sete clubes divididos em duas chaves, incluindo também os uruguaios Peñarol e Nacional, a Universidad Católica e o paraguaio Guaraní.
Mais recentemente, em 2021, no formato atual da competição, Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras alcançaram o top-4. No entanto, o sonho de semifinais 100% brasileiras foi frustrado pelo Barcelona de Guayaquil, que eliminou o Fluminense nas quartas de final daquela edição. A atual temporada, portanto, representa uma nova e talvez a melhor chance para o Brasil consolidar um domínio sem precedentes na competição.
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