O debate sobre a legalização dos jogos de azar no Brasil, uma pauta que ressurge periodicamente na esfera política e econômica, ganha um novo capítulo com a defesa explícita do grupo liberal Livres. Em seu Caderno de Políticas Públicas de 2026, a organização argumenta que a regulamentação de cassinos e outras modalidades de jogo é uma medida estratégica para impulsionar a arrecadação federal e, simultaneamente, enfrentar os desafios impostos pela clandestinidade da atividade.
A discussão é antiga e complexa, envolvendo aspectos econômicos, sociais e éticos. Enquanto defensores apontam para o potencial de geração de receita e empregos, críticos levantam preocupações sobre os impactos sociais, como o aumento do endividamento e a proliferação de vícios. A proposta do Livres busca equilibrar esses pontos, apresentando a legalização não apenas como uma fonte de recursos, mas como uma ferramenta de controle e fiscalização.
A Proposta do Livres: Arrecadação e Combate à Clandestinidade
No cerne da argumentação do Livres está a premissa de que a proibição dos jogos de azar no Brasil não eliminou a prática, mas a empurrou para a ilegalidade. Segundo o grupo, essa clandestinidade impede a proteção ao consumidor, dificulta o controle sobre o fluxo financeiro e, paradoxalmente, abre espaço para a atuação do crime organizado. A legalização, nesse contexto, seria um caminho para trazer a atividade à luz da lei, permitindo sua regulamentação e fiscalização efetivas.
Rafael Moredo, coordenador de políticas públicas do Livres, reforça essa visão. Ele afirma que a proibição não surtiu o efeito desejado, apenas fortalecendo o submundo do jogo. A regulamentação, portanto, seria um passo fundamental para desmantelar as estruturas ilegais e garantir que os recursos gerados sejam canalizados para o Estado, em vez de abastecer atividades criminosas.
Potencial Econômico e Geração de Empregos
Para embasar sua defesa, o Livres cita dados de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O estudo indica que a liberação dos cassinos físicos no país poderia resultar em uma arrecadação anual de impressionantes R$ 37,3 bilhões. Além do impacto fiscal, a medida teria um potencial significativo na geração de empregos, com a estimativa de criação de cerca de 1 milhão de postos de trabalho. Esses números representam um atrativo considerável para um país em busca de novas fontes de receita e oportunidades econômicas.
A injeção de bilhões de reais na economia, proveniente de impostos e taxas sobre a atividade de jogos, poderia ser direcionada para áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura, fortalecendo os serviços públicos e impulsionando o desenvolvimento nacional. A criação de empregos, por sua vez, aliviaria a pressão sobre o mercado de trabalho, oferecendo novas perspectivas para milhões de brasileiros.
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