As lavanderias de autoatendimento, antes uma novidade em grandes centros urbanos, consolidaram-se como um fenômeno de consumo no Brasil, e São Paulo emerge como o epicentro dessa transformação. O estado paulista, que já concentra 25% das unidades do país, registrou um crescimento impressionante de mais de 400% no número de estabelecimentos self-service desde 2022, saltando de menos de 400 para 2 mil unidades até setembro de 2026.
Esse avanço reflete uma mudança profunda nos hábitos dos brasileiros, impulsionada por fatores como a crescente urbanização, a miniaturização dos espaços residenciais e a busca por praticidade no dia a dia. Dados da Associação Nacional das Empresas de Lavanderia (Anel) revelam que, em nível nacional, o número de unidades disparou de cerca de 1.500 em 2022 para 8 mil até meados de setembro deste ano, um salto de mais de 430%.
O Crescimento Exponencial das Lavanderias em São Paulo
A expansão das lavanderias em São Paulo é um retrato vívido da popularização do modelo. Em 2022, o estado contava com 370 unidades de autoatendimento, sendo 150 em condomínios e 220 abertas ao público. Esse cenário mudou drasticamente em apenas quatro anos.
- Em 2023, o total subiu para 520 unidades (200 em condomínios e 320 abertas ao público).
- Em 2024, o número mais que dobrou, atingindo 1.100 estabelecimentos (400 em condomínios e 700 abertas ao público).
- Até 2025, o estado já somava 1.600 lavanderias self-service (600 em condomínios e 1.000 abertas ao público).
- A projeção para setembro de 2026 indica 2.000 unidades, com 750 em condomínios e 1.250 acessíveis ao público.
Esse crescimento robusto demonstra a rápida aceitação do serviço, tanto em espaços privados quanto em pontos comerciais estratégicos. A Associação Nacional das Empresas de Lavanderia (Anel) prevê que o Brasil terá cerca de 10 mil unidades até 2030 e o triplo desse número até 2050, sinalizando um mercado com vasto potencial de expansão.
Fatores por Trás da Popularização do Autoatendimento
A “febre das lavanderias” é um reflexo direto de transformações sociais e urbanísticas. O Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 87% da população brasileira vive em áreas urbanas, onde a área de moradias e comércios cresceu 12,3%. Paralelamente, houve uma tendência de miniaturização dos apartamentos, especialmente nas grandes cidades.
A falta de espaço para máquinas de lavar e varais em residências menores, aliada à busca por mais praticidade e otimização do tempo, impulsionou a demanda por soluções como as lavanderias de autoatendimento. Josefa Oliveira, de 61 anos, moradora da Zona Sul de São Paulo, exemplifica essa mudança. Embora ainda tenha máquina de lavar, ela utiliza o serviço de secagem há um ano. “É pela praticidade. As roupas saem secas, perfumadas e é só dobrar e guardar”, contou ao g1.
O modelo, importado do exterior e inicialmente popularizado no Rio de Janeiro, encontrou em São Paulo um terreno fértil para se expandir. A facilidade de uso, a tecnologia embarcada e os preços acessíveis tornaram o serviço atrativo para as classes B e C, democratizando o acesso a equipamentos de lavagem e secagem de alta performance.
O Potencial Econômico do Setor e o Cenário de Franquias
O impacto econômico desse fenômeno é significativo. Em 2023, o mercado de lavanderias movimentou R$ 6,2 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira de Lavanderias (Abralav), registrando um crescimento médio anual de 4,8% desde 2020. No segmento de franquias, o setor de Limpeza e Conservação, que engloba as lavanderias self-service, foi o que mais cresceu no segundo trimestre de 2026, com alta de 17,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior, faturando quase R$ 685 milhões, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Grandes redes têm colhido os frutos dessa expansão. A franquia francesa 5àsec, por exemplo, faturou R$ 330 milhões em 2025 e cresceu 12,4% no primeiro semestre de 2026. Já a marca brasileira LavPop, também do Grupo Froth, registrou um impressionante crescimento de 78% no mesmo período. Na capital paulista, as empresas do setor emitiram R$ 468,69 milhões em notas fiscais em 2024, um aumento de 18% em relação ao ano anterior, com R$ 336,13 milhões já registrados até agosto de 2026, segundo a Secretaria Municipal da Fazenda.
Investimento e os Desafios da Saturação Local
Para empreendedores interessados em ingressar nesse mercado, o investimento inicial para abrir uma lavanderia self-service varia entre R$ 70 mil e R$ 400 mil, dependendo da rede e da dimensão do negócio. A Abralav estima um prazo médio de retorno entre 12 e 48 meses, com potencial de lucratividade de até 60%.
No entanto, o presidente da Anel, Othon Barcellos, alerta que o sucesso do empreendimento depende de diversos fatores, como a época do ano, o número de máquinas, a localização estratégica e a qualidade do serviço. “Ao contrário do que pode se pensar, os donos têm trabalho, sim”, ressalta Barcellos, desmistificando a ideia de um negócio de “mãos limpas”. Ele também aponta para a saturação de estabelecimentos em alguns bairros de São Paulo, como Moema, Itaim Bibi, Higienópolis e Tatuapé, indicando a necessidade de análise cuidadosa antes de investir.
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