A Vara Estadual das Garantias de São Paulo decidiu devolver, sem uma decisão definitiva, um pedido da Polícia Civil que solicitava acesso a dados financeiros sigilosos de Karina Ferreira da Gama, empresária à frente da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”. A medida impõe um novo ritmo à apuração que investiga possíveis desvios de recursos públicos da Prefeitura de São Paulo.
O magistrado responsável pelo caso questionou a fundamentação apresentada pelas autoridades policiais. Em um despacho publicado no Diário de Justiça Eletrônico nesta segunda-feira (31), a Justiça solicitou que a polícia detalhe quais documentos e indícios concretos de irregularidade foram reunidos durante a investigação, ressaltando que tais evidências devem ir além de informações já veiculadas na imprensa. A concessão do acesso aos dados financeiros foi condicionada a esses esclarecimentos.
Contexto da investigação e suspeitas de irregularidades
A investigação policial teve origem em uma representação do Ministério Público, focada em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a prefeitura. O delegado Antonio Carlos Manuera Silveira, encarregado do inquérito, apontou a existência de “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre as contas do instituto e a Go Up Entertainment, produtora de Karina Ferreira da Gama.
O despacho judicial destaca que, embora os serviços de fornecimento de wi-fi contratados totalizassem cerca de R$ 43 milhões, teriam sido transferidos ao instituto aproximadamente R$ 69 milhões. Essa discrepância de R$ 26 milhões é um dos pontos centrais da apuração, que também levanta a hipótese de que parte do montante público tenha sido desviada para financiar atividades privadas, especificamente a produção cinematográfica vinculada à empresária.
Acesso ao Coaf e desdobramentos federais
O pedido original da Polícia Civil, protocolado em maio, visava a obtenção de relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Esses documentos reúnem comunicações de operações atípicas enviadas por instituições bancárias, mas não concedem acesso direto aos extratos bancários detalhados. A decisão da Vara de Garantias busca assegurar que a quebra de sigilo seja precedida de uma fundamentação robusta.
O caso ganhou contornos mais amplos na última semana, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou o compartilhamento de provas do inquérito paulista com a Polícia Federal. A corporação federal conduz uma investigação paralela sobre o recebimento de emendas parlamentares pela mesma produtora. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que solicitou recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o longa-metragem, havia se comprometido a apresentar a prestação de contas do projeto, mas a documentação ainda não foi entregue.
O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e os próximos passos da Polícia Civil e do Judiciário paulista. Mantenha-se informado sobre os principais fatos da política e do cotidiano acessando nosso portal diariamente, onde oferecemos uma cobertura completa, apurada e comprometida com a transparência das informações.