Desfecho judicial após mais de uma década de espera
O Tribunal do Júri de São Paulo concluiu, nesta terça-feira (6), o julgamento de dez torcedores corintianos acusados de envolvimento nas mortes de dois palmeirenses, em um episódio que ficou marcado na crônica policial esportiva como a Batalha da Inajar. O veredito, proferido pela juíza Flávia Castellar Olivério no Fórum Criminal da Barra Funda, resultou na condenação de apenas um dos réus por homicídio, enquanto outros oito foram absolvidos das acusações de homicídio e rixa.
Carlos Roberto de Brito Júnior, conhecido como Neguinho, de 43 anos, recebeu a pena de 16 anos e quatro meses de reclusão em regime inicial fechado, sendo apontado como responsável pela morte de Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, de 19 anos. Um segundo réu foi condenado pelo crime de rixa, mas, devido à prescrição da pena, não sofrerá sanções. O julgamento, que teve início na segunda-feira (5), encerra um longo capítulo processual sobre o confronto ocorrido em março de 2012.
Contexto da Batalha da Inajar
O conflito aconteceu na manhã de 25 de março de 2012, na Avenida Inajar de Souza, Zona Norte da capital paulista, horas antes de um clássico entre Corinthians e Palmeiras pelo Campeonato Paulista. Segundo as investigações da Polícia Civil, o ataque foi planejado como uma emboscada. Torcedores corintianos, parte deles ligados à torcida organizada Gaviões da Fiel, teriam se organizado na noite anterior, deslocando-se em ônibus para a região do confronto portando barras de ferro, pedaços de madeira e fogos de artifício.
As vítimas, André Alves Lezo, de 21 anos, e Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, foram cercadas pelo grupo rival. André faleceu no mesmo dia, enquanto Guilherme não resistiu a um traumatismo craniano e morreu dois dias depois. A motivação apontada pela polícia seria uma retaliação pela morte de outro torcedor corintiano, ocorrida no ano anterior. O caso ganhou repercussão nacional e forçou, à época, medidas severas das autoridades esportivas contra as organizadas envolvidas.
Desafios na apuração e o futuro do processo
Apesar da condenação de um dos envolvidos, a investigação policial enfrentou dificuldades técnicas para individualizar as condutas dos agressores. A denúncia do Ministério Público sustentou que os réus participaram da organização e execução do ataque, mas não foi possível identificar com precisão quem desferiu os golpes fatais contra os palmeirenses. Entre os absolvidos estão figuras conhecidas das torcidas, como Douglas Deungaro, o Metaleiro, ex-presidente da Gaviões da Fiel.
Os réus, que respondiam ao processo em liberdade, poderão recorrer da sentença também sem necessidade de encarceramento imediato. O caso, contudo, ainda não está totalmente encerrado. O processo foi desmembrado e, em uma etapa futura, nove torcedores palmeirenses serão levados a júri popular sob a acusação de associação criminosa. A data para esse novo julgamento ainda não foi definida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros casos que impactam a segurança pública e a sociedade, continue lendo o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, com a seriedade e a credibilidade que a informação de qualidade exige.
Para mais detalhes sobre o histórico do caso, consulte a cobertura completa no portal g1.globo.com.