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Ex-ministros do STF e juristas lançam manifesto pela democracia em São Paulo

Ex-ministros do STF e juristas lançam manifesto pela democracia em São Paulo
Rafaela Araújo - 18.jul.25/Folhapress

Um manifesto público articulado em defesa da Constituição federal e do regime democrático brasileiro já conta com mais de 600 assinaturas de juristas, advogados, professores universitários e ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal. O documento apartidário foi organizado conjuntamente pela Comissão Arns e pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade estudantil da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

A iniciativa reúne nomes de diferentes correntes ideológicas e trajetórias profissionais na capital paulista, buscando consolidar uma frente ampla contra ameaças institucionais. O lançamento oficial e a leitura pública do texto ocorrem no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, localizada no largo São Francisco, na região central de São Paulo.

Articulação ampla de lideranças jurídicas

O documento conta com o respaldo de figuras históricas do Judiciário e da academia nacional. Entre os signatários estão os ex-presidentes do STF Celso de Mello, Antonio Cezar Peluso e Rosa Weber, além da presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha. Também participam da articulação os ex-ministros da Justiça José Carlos Dias e Miguel Reale Júnior.

A lista de apoios abrange juristas renomados como Fábio Konder Comparato, José Roberto de Castro Neves, Nilo Batista e Calixto Salomão Filho. Integram ainda o rol de assinaturas personalidades de áreas como economia e direitos humanos, a exemplo do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira e da psicóloga e ativista Cida Bento, reforçando o caráter plural da mobilização.

O teor do documento e o Estado de Direito

Intitulado oficialmente de Manifesto pela Constituição, pela democracia e pelos direitos humanos, o texto enfatiza que seus subscritores possuem divergências políticas, mas convergem na preservação das regras republicanas. O material destaca que a prioridade conjunta é a integridade do Estado democrático de Direito e a independência funcional entre os Poderes da República.

Segundo trechos divulgados antes do evento oficial, o manifesto ressalva que nenhum governante deve concentrar prerrogativas de forma a anular o sistema de freios e contrapesos. Para os organizadores, a estabilidade institucional brasileira depende diretamente da harmonia e da fiscalização mútua entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Contexto eleitoral e repercussão pública

O lançamento da carta pública acontece na reta final da corrida presidencial, a poucos dias do segundo turno disputado entre o presidente Lula, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro. Sem mencionar nominalmente os postulantes ao Palácio do Planalto, o manifesto pontua a importância de apoiar candidaturas comprometidas com o respeito à Carta Magna.

Em declarações públicas concedidas durante a preparação do ato, representantes da Comissão Arns apontaram receios em relação a propostas de revisão constitucional com inclinação autoritária. A movimentação busca influenciar o debate público e mobilizar eleitores em torno da preservação das normas que regem o sistema político nacional.

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