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Julgamento de Fernando Sastre entra no segundo dia e ouve testemunhas em São Paulo

Julgamento de Fernando Sastre entra no segundo dia e ouve testemunhas em São Paulo
Foto: Reprodução

O julgamento do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, dono do Porsche azul, entra em seu segundo dia nesta quinta-feira (29) no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista. O caso, que comoveu a opinião pública, refere-se à morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, atingido na Zona Leste de São Paulo em 31 de março de 2024. A promotoria atua para que o réu receba uma condenação superior a 20 anos de reclusão pelo impacto da colisão e pelas circunstâncias que envolveram o episódio.

A sessão decisiva ocorre após um primeiro dia marcado por depoimentos cruciais e forte carga emocional. O Ministério Público sustenta a tese de que o condutor dirigia sob efeito de álcool e em velocidade incompatível com a via quando o veículo esportivo de luxo colidiu contra a traseira do automóvel da vítima na Avenida Salim Farah Maluf, localizada no bairro do Tatuapé.

Depoimentos e revelações do primeiro dia de júri

Quatro pessoas prestaram depoimento durante a quarta-feira (28), inaugurando os trabalhos do júri popular. Entre os relatos mais esperados estava o de Marcus Vinícius Rocha, amigo de Fernando e passageiro do carro no momento da batida, que também figurou como vítima por ter sofrido ferimentos. Ele confirmou perante a justiça que o empresário havia consumido bebida alcoólica e apresentava alteração em seu comportamento antes de assumir a direção.

A ex-namorada de Marcus, ouvida por videoconferência, corroborou a versão ao afirmar que o motorista do Porsche estava cambaleante antes de deixar o local onde estavam. Na sequência, Lucas, filho de Ornaldo, expôs as dificuldades financeiras e os abalos psicológicos enfrentados pela família após a perda do pai, que era o provedor do lar. A fase inicial de oitivas também incluiu a participação da mãe do réu, enquanto a acusação reforça o pedido de pena rigorosa.

Perícia técnica e dinâmica do impacto na Avenida Salim Farah Maluf

Conforme os levantamentos apresentados pelo G1, a tragédia aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, quando o Renault Sandero conduzido por Ornaldo da Silva Viana foi atingido violentamente na traseira. Laudos elaborados pelo Instituto de Criminalística indicam que o Porsche trafegava a aproximadamente 136 km/h em um trecho cujo limite regulamentado é de 50 km/h.

A programação desta quinta-feira prevê a oitiva de uma policial militar responsável por liberar o condutor logo após a ocorrência, além de assistentes técnicos contratados tanto pela acusação quanto pela defesa para debater as análises periciais. Posteriormente, o processo avançará para o interrogatório do réu e para a fase de debates entre acusação e defesa, antecedendo a decisão do conselho de sentença.

Contraponto da defesa e argumentos jurídicos

A defesa de Fernando Sastre, representada pelo advogado Jonas Marzagão, argumenta que o cliente enfrenta um tratamento rigoroso e destaca que ele permanece como o único motorista em situação semelhante preso no estado. A estratégia jurídica busca descaracterizar a acusação de dolo eventual, sustentando que o episódio deve ser enquadrado como homicídio culposo, situação em que não há intenção de matar.

Os defensores também enfatizaram que a ausência do teste do bafômetro no local ocorreu por falta de equipamento da corporação policial naquele momento e que o réu permaneceu nas imediações até ser liberado pelas autoridades presentes. O desfecho do julgamento definirá os próximos passos judiciais deste caso que repercutiu amplamente nos meios de comunicação e nas redes sociais em todo o país.

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