Em uma movimentação que expõe as tensões internas no PSD, o ex-senador e figura histórica do partido, Jorge Bornhausen, divulgou uma manifestação interna cobrando maior engajamento dos filiados à legenda na campanha presidencial de Ronaldo Caiado. O apelo do veterano político reflete a preocupação com o desempenho do candidato, que atualmente registra patamares inferiores a 5% nas pesquisas de intenção de voto.
Crítica à condução da campanha e polarização
No texto enviado aos correligionários, Bornhausen foi enfático ao afirmar que os membros do partido estariam negligenciando a promoção do nome de Caiado. Segundo ele, a falta de dedicação à campanha do PSD contribui para que o cenário eleitoral se resuma a um embate entre o que classificou como “duas quadrilhas”, em uma referência direta às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ambos alvos de acusações de corrupção.
O ex-senador, que atuou no antigo PFL e hoje atua como conselheiro de Gilberto Kassab, presidente da sigla, defendeu que a militância e os quadros do partido precisam “acordar”. O chamado de atenção de Bornhausen inclui nominalmente o próprio Kassab, que também compõe a chapa como candidato a vice-presidente.
Fragmentação e apoio a outros nomes
O desconforto manifestado por Bornhausen decorre da estratégia de flexibilidade adotada pelo PSD, que permitiu que candidatos estaduais e parlamentares apoiassem outros presidenciáveis. Essa descentralização resultou em um cenário onde o partido, na prática, caminha em direções opostas em diferentes estados brasileiros.
A lista de apoios divergentes é extensa e ilustra a complexidade da situação enfrentada pela cúpula do PSD:
- Governadores como Raquel Lyra (Pernambuco) e Fábio Mitidieri (Sergipe), além do candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, mantêm alinhamento com a candidatura de Lula.
- Em Minas Gerais, o candidato Mateus Simões concentra seus esforços na campanha de Romeu Zema (Novo).
- Parlamentares da legenda também têm declarado apoio a Flávio Bolsonaro, esvaziando o palanque de Caiado.
Desafios para a unidade partidária
Embora Caiado conte com o respaldo de figuras como os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR), o movimento de Bornhausen escancara a dificuldade de consolidar uma candidatura única em um partido de perfil pragmático e capilaridade nacional. A cobrança do ex-senador coloca em xeque a autonomia concedida aos diretórios regionais e levanta o debate sobre a viabilidade da candidatura própria diante da fragmentação interna.
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