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Moradores do Jaguaré enfrentam incertezas enquanto reparos avançam após explosão

em SP Reprodução/TV Globo
Reprodução G1

Cinco dias após a devastadora explosão no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, que ceifou duas vidas e deixou um rastro de destruição, os trabalhos de reparo nas residências atingidas finalmente começaram. No entanto, a chegada das equipes de construção não dissipou a nuvem de incerteza que paira sobre moradores e comerciantes da região, que ainda tentam se reerguer em meio a uma rotina de improvisos e prejuízos incalculáveis. A tragédia, atribuída a uma obra da Sabesp que perfurou uma tubulação de gás, expôs a fragilidade da infraestrutura urbana e a complexidade da recuperação pós-desastre.

A Rua José Benedito de Moraes Leme, epicentro de parte dos danos, ilustra bem o cenário. Vizinhos se reúnem em meio à rua, compartilhando um café improvisado, enquanto aguardam novas avaliações da Defesa Civil e informações cruciais sobre o futuro de seus imóveis, muitos deles interditados. A vida, como era conhecida, foi suspensa, e a cada dia traz novos desafios e poucas respostas concretas.

A Lenta Retomada no Jaguaré e o Caos Doméstico

A chegada de caminhões carregados de materiais e a movimentação de operários, com seus capacetes e coletes de segurança, marcam o início da reconstrução física. Equipes trabalham intensamente na substituição de telhados, janelas e portões danificados pela força da explosão. As telhas antigas, muitas delas chamuscadas e estilhaçadas, são removidas para dar lugar a novas estruturas, um passo essencial para a segurança e habitabilidade das casas.

Contudo, para quem viveu o terror do acidente, a recuperação vai além da estrutura. A doméstica Michele Carvalho da Silva expressa o sentimento de muitos: “Dentro de casa está um caos, ficamos sem saber de nada, sem saber o que está acontecendo nem o que vai acontecer”. A atendente trainee Shirlei Cardoso da Silva relata a dificuldade de se afastar do local, “presa” à necessidade de aguardar os funcionários da Defesa Civil para assinar laudos e obter orientações. A autônoma Ketlyn Victória da Silva Vieira, por sua vez, recebeu a notícia da interdição de sua casa, com risco de desabamento do teto do quarto e telhado estourado, e a incerteza sobre onde dormiria.

Impacto nos Negócios e a Espera por Ressarcimento

Além dos lares, a economia local também sofreu um duro golpe. Comerciantes da região do Jaguaré relatam prejuízos significativos e uma luta diária para retomar as atividades. Uma pizzaria, por exemplo, teve o acesso liberado, mas permanece inoperante devido aos equipamentos danificados. O proprietário, Tarciano Fernandes Lima, ainda não conseguiu mensurar o tamanho do estrago. “Freezer, geladeira, mercadoria, computador… Ainda não deu para calcular, devido à correria”, lamenta.

A paralisação dos negócios afeta não apenas os donos, mas também seus funcionários. Lucas Lima de Freitas, um dos motoboys da pizzaria, que inclusive aparece em um vídeo do momento da explosão, está sem trabalho desde o acidente. “Desde o dia da explosão a gente está sem trabalhar, sem retorno. Falaram que seríamos ressarcidos, mas até agora nada também”, desabafa, evidenciando a urgência por um suporte financeiro que ainda não se concretizou para todos.

Resposta das Autoridades e a Suspensão de Obras

Diante da gravidade do ocorrido, as empresas envolvidas e as autoridades públicas têm agido em diferentes frentes. A Sabesp informou ter concedido auxílio emergencial de R$ 5 mil a 662 pessoas, além de hospedagem provisória e apoio para reparos. A Comgás, por sua vez, mantém 113 pessoas em hotéis e atua na recuperação das casas liberadas, com substituição e indenização de itens danificados. Para acelerar os reparos, a Sabesp contratou uma empresa adicional.

Em uma medida preventiva, a Sabesp anunciou a suspensão, por 15 dias, de todas as suas obras em logradouros públicos no estado de São Paulo que possam interferir diretamente em redes de gás. A decisão veio após a explosão no Jaguaré e foi reforçada por um novo incidente em Itaquera, onde uma escavação da Sabesp perfurou uma rede da Comgás, causando vazamento. O objetivo é revisar procedimentos operacionais e protocolos de segurança. O governador Tarcísio de Freitas já havia anunciado a paralisação de cerca de 30 obras e a revisão de manuais de boas práticas. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) aguarda explicações detalhadas da Sabesp e da Comgás sobre o acidente. Acesse o site da Sabesp para mais informações sobre suas operações.

Desafios da Moradia e a Busca por Soluções Duradouras

A Defesa Civil e a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) trabalham em um mapeamento detalhado das edificações afetadas. O levantamento mais recente indica que 16 residências foram condenadas e marcadas em vermelho, necessitando de demolição. Outras 22 estão parcialmente interditadas e exigem reformas, enquanto 99 imóveis foram liberados. A chuva recente, inclusive, interrompeu as demolições e agravou a situação de casas com telhados comprometidos, forçando moradores a improvisar a proteção de seus pertences.

A questão da moradia permanente é um ponto de grande preocupação. Moradores reclamam que os valores de indenização propostos são insuficientes para adquirir imóveis semelhantes na região do Jaguaré. Sabrina Santana, inspetora de qualidade, cuja casa foi condenada, expressa a angústia: “A minha casa eles disseram que não tem como fazer reconstrução, vão ter que derrubar e começar do zero, não tem como fazer reforma. E aí eles disseram que reconstrução não tem prazo, porque vai ter que derrubar tudo e começar do zero. Então a gente não sabe o que faz”. Apesar do suporte, a incerteza sobre o futuro é palpável. Em um esforço para realocar as famílias, quatro delas visitaram apartamentos da CDHU e aceitaram se mudar para um empreendimento a cerca de 10 quilômetros, com custos custeados pela Sabesp e Comgás.

Entre a Tragédia e a Resiliência Comunitária

Em meio à adversidade, a comunidade do Jaguaré demonstra uma notável capacidade de resiliência. Em uma das ruas mais afetadas, a fita de isolamento da Defesa Civil, símbolo da tragédia, foi transformada em uma rede improvisada para uma partida de vôlei. O operador de máquina Francisco da Silva, que perdeu um primo na explosão, participou da brincadeira, buscando um momento de distração. “Se distrair um pouco, né? Porque a situação não é legal”, afirmou, sintetizando a necessidade humana de encontrar alívio mesmo nos momentos mais difíceis.

O M1 Metrópole continua acompanhando de perto os desdobramentos dessa tragédia e o processo de reconstrução no Jaguaré. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que impactam a vida em nossa metrópole, desde questões de infraestrutura e segurança até cultura e economia, continue acessando nosso portal. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre por dentro dos fatos que moldam nossa realidade.

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