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Irmã de jovem morto pela PM em Moema lamenta que “devia ter te falado te amo mais vezes”

Irmã de jovem morto pela PM em Moema lamenta que "devia ter te falado te amo mais vezes"
Foto: Reprodução/Instagram

A dor da perda e o luto se manifestaram em uma tocante homenagem nas redes sociais, onde a irmã de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, expressou seu pesar após a morte do jovem em uma abordagem policial na Zona Sul de São Paulo. “Eu devia ter te falado te amo mais vezes ❤️”, escreveu a jovem nesta segunda-feira, 12 de outubro, dia em que o corpo de Gustavo foi sepultado, marcando o fim trágico de uma vida interrompida por 27 disparos de arma de fogo efetuados por policiais militares.

O caso, que ocorreu na madrugada de sábado, 10 de outubro, em Moema, ganhou repercussão nacional e levantou questionamentos sobre a conduta policial e a transparência nas investigações. A família de Gustavo contesta veementemente a versão apresentada pelos agentes, enquanto as autoridades buscam esclarecer as circunstâncias de um incidente onde um celular foi confundido com uma arma.

A homenagem que ecoa a dor da perda

Nas redes sociais, a irmã de Gustavo compartilhou uma série de fotografias que retratam momentos de carinho e união entre os dois. As imagens mostram Gustavo e sua irmã abraçados, sorrindo para a câmera, em celebrações e instantes cotidianos que agora se tornaram memórias preciosas. A frase carregada de emoção, acompanhada de um coração vermelho, traduz a saudade e o impacto devastador da partida precoce de Gustavo, que era descrito por amigos e familiares como uma pessoa querida e prestativa.

Detalhes da abordagem: 45 disparos e um celular

O boletim de ocorrência detalha que a Polícia Militar foi acionada por volta das 2h35 de sábado para atender a um chamado sobre um homem supostamente transtornado e ameaçando tirar a própria vida. Ao avistar a equipe na Avenida Moreira Guimarães, Gustavo teria corrido por uma passarela, buscando refúgio no recuo de um imóvel comercial na Alameda dos Guaramomis.

A versão dos policiais indica que o jovem teria saído de uma área escura, estendendo os braços na direção dos agentes enquanto segurava um objeto escuro. Interpretando o movimento como uma ameaça armada, os quatro policiais militares envolvidos — Soldado Gomes, Soldado Sales, Soldado França e Sargento Macedo — abriram fogo. Ao todo, foram efetuados 45 disparos com pistolas calibre .40, resultando em pelo menos 27 ferimentos no corpo de Gustavo, atingindo cabeça, tórax, abdômen, braços e pernas. Contudo, o objeto encontrado ao lado do corpo era, na verdade, um telefone celular.

Família contesta versão oficial e aponta histórico de abordagens

A família de Gustavo Munis de Santana refuta a narrativa policial de que ele estaria em surto ou com intenções suicidas. Embora o jovem fizesse tratamento psiquiátrico e utilizasse antidepressivos, seus parentes afirmam que ele nunca havia tentado suicídio nem apresentado episódios de surto psicótico. A advogada da família ressalta que Gustavo, sendo um jovem negro morador de Moema, já havia sido abordado por policiais outras vezes na região, levantando a suspeita de que as abordagens anteriores estivessem relacionadas à sua raça e local de moradia. A Polícia Civil confirmou que Gustavo não possuía antecedentes criminais, reforçando a perplexidade da família diante da violência da abordagem.

A vida de Gustavo: sonhos interrompidos e carinho da comunidade

Gustavo Munis de Santana, aos 20 anos, tinha uma vida cheia de planos e era uma figura querida em sua comunidade. Morava com a mãe e as irmãs, trabalhava em um hospital e tinha um carinho especial por animais, cuidando de cachorros e sonhando em cursar medicina veterinária ou engenharia mecânica. Um vizinho, Eguinaldo Ferreira, técnico de refrigeração, que o conhecia desde a infância, descreveu Gustavo à TV Globo como um “moleque bom, gente boa, sempre que precisava ele arrumava bicicleta da minha filha”, destacando sua presteza e bom caráter. A morte de Gustavo não apenas ceifou uma vida promissora, mas também deixou um vazio imenso entre aqueles que o amavam e admiravam.

Investigação em curso: câmeras corporais e busca por justiça

O caso está sob investigação rigorosa da Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), e da Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes. Os quatro policiais envolvidos foram afastados de suas funções no domingo, 11 de outubro, após a análise inicial das imagens das câmeras corporais. No entanto, a Polícia Civil ainda não havia recebido a íntegra das gravações quase 60 horas após o ocorrido, o que é considerado um entrave crucial para o esclarecimento das circunstâncias da abordagem.

Além das imagens das câmeras corporais, os investigadores buscam gravações de câmeras de segurança próximas ao local. A perícia recolheu 44 cápsulas de munição e identificou marcas de disparos na fachada de um imóvel vizinho. A investigação deverá determinar a trajetória dos projéteis, as posições dos policiais e da vítima, e se houve disparos quando Gustavo já estava caído. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) reiterou, em nota, que não tolera desvios de conduta de seus agentes e que eventuais irregularidades serão punidas com rigor.

Para mais informações sobre casos de violência policial e a atuação das forças de segurança, acesse g1.globo.com.

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