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Investigação da PF revela elo financeiro entre Banco Master e suspeitos de ligação com o PCC

Investigação da PF revela elo financeiro entre Banco Master e suspeitos de ligação com o PCC
Foto: Reprodução

Documentos da Polícia Federal (PF) revelaram uma conexão inesperada entre o setor financeiro e o crime organizado. Segundo as apurações, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e empresários investigados por vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no ramo de combustíveis compartilhavam a mesma estrutura para movimentar recursos e ocultar patrimônio. O ponto de convergência identificado pelos investigadores foi a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

A conexão via Trustee e o papel dos intermediários

A revelação surgiu a partir da Operação Quasar, que mirava o uso de fundos de investimento para blindar bens de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Ambos são apontados como líderes de um esquema criminoso no setor de combustíveis e encontram-se foragidos. A PF descobriu que a Trustee, sob direção de Artur Martins de Figueiredo, operava como o braço técnico para a ocultação de ativos de ambos os grupos.

A análise de um celular apreendido com Artur trouxe à tona conversas que ligam as operações à cúpula do Banco Master. Nas mensagens, Ascendino Madureira Garcia, o Dino, aparece como o elo entre o banqueiro e a corretora, repassando ordens diretas de Vorcaro para a execução de ajustes contábeis e movimentações complexas. Em um dos diálogos, após receber uma planilha detalhada sobre a rede de fundos, Ascendino chegou a utilizar uma imagem do filme “O Lobo de Wall Street”, reforçando a natureza das transações sob suspeita.

Engrenagem financeira e blindagem patrimonial

A estratégia utilizada pelos investigados envolvia o uso de fundos de investimento, empresas e sociedades de propósito específico (SPE) para criar camadas de distanciamento entre o dinheiro e seus verdadeiros donos. No caso do grupo ligado ao PCC, o objetivo era proteger o patrimônio de fiscalizações tributárias e execuções judiciais. Já no núcleo do Banco Master, a estrutura servia para dar aparência de legalidade a transações financeiras e manipular avaliações de ativos.

A Polícia Federal destaca que a Trustee atuava simultaneamente para os dois lados, servindo como uma ferramenta de engenharia financeira para finalidades distintas, mas com métodos operacionais idênticos. A descoberta levou a Justiça Federal a autorizar o compartilhamento das provas entre o inquérito da Operação Quasar e as investigações que apuram as atividades do Banco Master, ampliando o escopo da apuração.

Repercussão e desdobramentos no setor financeiro

O cenário de irregularidades culminou em medidas drásticas por parte das autoridades reguladoras. No dia 3 de setembro deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Trustee e da Banvox, corretora também associada a Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master. O órgão regulador justificou a decisão citando “graves violações” às normas que regem o sistema financeiro nacional. Saiba mais sobre os desdobramentos desta investigação no portal g1.

As defesas dos envolvidos têm se manifestado de formas distintas. Representantes de Mohamad Hussein Mourad classificaram as acusações da Operação Carbono Oculto como “fatos não provados” e parte de uma “narrativa desconexa da realidade”. Já a defesa de Beto Louco afirmou que provará a improcedência das denúncias. O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos deste caso, comprometido em levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, ética e pautada pelos fatos que impactam a economia e a segurança pública do país.

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