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Investigação de surto de hantavírus em cruzeiro na Argentina não encontra roedores portadores

Juan Mabromata /AFP
Juan Mabromata /AFP

As autoridades de saúde argentinas continuam a investigar a origem de um surto de hantavírus que afetou passageiros de um cruzeiro em abril de 2026, mas, até o momento, não encontraram roedores da espécie Oligoryzomys longicaudatus, principal vetor da doença, nas áreas analisadas. A busca se concentrou nas províncias de Mendoza e Terra do Fogo, locais de possível exposição ao vírus.

O caso ganhou destaque internacional após o cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia, na Argentina, registrar múltiplos casos da cepa Andes do hantavírus. Esta variante é a única com transmissão documentada entre humanos, o que elevou o nível de alerta e mobilizou equipes de epidemiologistas e cientistas para rastrear a fonte da infecção.

A busca incessante por roedores portadores do hantavírus

Os esforços de investigação foram intensificados em maio na Terra do Fogo e, mais recentemente, na província de Mendoza. Nesta última, mais de 250 armadilhas foram instaladas em diferentes pontos da periferia de Malargüe, uma cidade pela qual um turista neerlandês, supostamente, passou antes de embarcar no cruzeiro e contrair o vírus.

Apesar da vasta operação de campo, o Ministério da Saúde argentino confirmou que nenhum exemplar de Oligoryzomys longicaudatus, conhecido popularmente como colilargo e principal reservatório do vírus Andes na Patagônia, foi detectado nas identificações preliminares. Essa ausência complica a determinação exata da origem da infecção, mantendo o mistério sobre como os passageiros foram expostos ao patógeno.

O surto no MV Hondius e a cepa Andes

O surto a bordo do MV Hondius, em abril de 2026, resultou em 13 casos confirmados ou prováveis de hantavírus, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Tragicamente, três dessas infecções evoluíram para óbito, sublinhando a gravidade da doença e a urgência em identificar e conter sua propagação. Passageiros e tripulantes foram submetidos a monitoramento e quarentena, gerando restrições para o navio atracar em diversos portos até sua chegada à Europa.

A cepa Andes é particularmente preocupante por sua capacidade de transmissão interpessoal, algo incomum para a maioria dos hantavírus, que geralmente são transmitidos por meio do contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. Este fator torna a investigação ainda mais crítica para entender os mecanismos de contágio e evitar novos surtos.

Investigação epidemiológica e os desafios da detecção

Além da busca pelo colilargo, os cientistas encontraram, de forma presumida, exemplares de Abrothrix olivacea, outra espécie de roedor. Embora já tenha sido documentada a presença de anticorpos da cepa Andes nesse tipo de animal, ele não é considerado um vetor primário ou importante para a transmissão do vírus aos humanos.

A doutora Carla Bellomo, do Serviço de Biologia Molecular do Malbrán, ressaltou que, apesar das descobertas, os estudos de campo não apresentaram evidências que confirmem a infecção dos exemplares capturados. As análises laboratoriais das amostras coletadas continuam em andamento, e apenas os resultados finais poderão fornecer clareza sobre a presença do vírus nos roedores da região. Para mais informações sobre o hantavírus, consulte a Organização Mundial da Saúde.

Contexto regional e o baixo risco de propagação

A cepa Andes do hantavírus é endêmica em regiões do sul do Chile e da Argentina. Contudo, Mendoza não possui circulação endêmica confirmada do vírus, o que torna o caso do turista neerlandês um ponto focal para as investigações. A ausência do roedor vetor principal nas áreas pesquisadas, somada ao fato de Mendoza não ser uma zona endêmica, sugere que o risco de uma propagação descontrolada na região permanece baixo, tranquilizando a população local.

Apesar disso, a vigilância epidemiológica e a pesquisa continuam sendo fundamentais para monitorar a situação e garantir a segurança da saúde pública, especialmente em áreas de fronteira e rotas turísticas que podem conectar regiões endêmicas a outras onde o vírus é menos comum.

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