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Fernando Haddad defende rigor da lei e autonomia da PF em investigação contra Jaques Wagner

que é uma pessoa que eu conhecia e tudo mais. Mas não posso desejar, para o bem
Reprodução G1

O cenário político brasileiro foi agitado recentemente pelas declarações do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad. Em entrevista ao podcast Kritikê na quinta-feira (19), Haddad defendeu veementemente a atuação da Polícia Federal (PF) na investigação que tem como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Congresso Nacional. A posição de Haddad sublinha a importância da aplicação da lei de forma equânime, independentemente de filiações partidárias ou proximidade.

As falas de Haddad surgem em meio à 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura um complexo esquema de fraudes e corrupção envolvendo o Banco Master e suas articulações com o meio político. O senador Jaques Wagner foi um dos alvos da operação, que investiga supostas vantagens indevidas em troca de atuação política.

Haddad reitera que a lei deve ser aplicada a todos

Durante a entrevista, Fernando Haddad enfatizou a necessidade de que a lei seja aplicada a todos os cidadãos, sem exceções. “Para o bem do país, a lei tem que ser aplicada para todos os brasileiros”, declarou. Ele argumentou que a questão ética na política exige a defesa da aplicação da lei “independentemente da torcida”, mesmo que isso signifique lamentar a situação de pessoas próximas.

Haddad fez uma analogia com a conduta em uma comunidade religiosa, onde, mesmo diante de um erro cometido por alguém conhecido, a busca pela justiça deve prevalecer. “Se você está numa comunidade da igreja, onde se professa os maiores valores humanos, e ali tem uma pessoa que erra, você vai lamentar. Mas não vai querer que ele fique impune”, ponderou o petista.

Autonomia da PF e críticas à gestão Bolsonaro

O ex-ministro aproveitou a ocasião para elogiar a independência da Polícia Federal sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contrastando-a com o que ele descreveu como interferências na PF durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Haddad afirmou que, na atual administração, “as instituições funcionam” e que não há troca de superintendentes da PF para proteger familiares ou aliados.

“O Lula disse que não ia mudar nada. Se é meu filho ou ministro, cada um explica seus atos e responde por ele. Não queremos injustiça para ninguém”, disse Haddad, reforçando a ideia de que a responsabilidade individual deve ser a base. Ele defendeu que, se um aliado cometeu um erro e isso for comprovado, deve arcar com as consequências, pois “o país tem que funcionar assim”.

Operação Compliance Zero e as acusações contra Jaques Wagner

A investigação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que Jaques Wagner teria recebido uma série de vantagens indevidas. Essas supostas benesses teriam sido intermediadas por Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso.

A PF destaca uma “relação antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal” entre Wagner e Augusto Lima, o que, em tese, teria criado um ambiente propício para tratativas em prol dos interesses privados do Banco Master. Entre os pontos investigados estão:

  • A aquisição de um imóvel de luxo em Salvador, feita pela Epítome S.A. com recursos de fundos ligados ao Master.
  • A compra de ingressos para shows da cantora Taylor Swift, tanto em São Paulo (novembro de 2023, no valor de R$ 63.339) quanto possivelmente em Los Angeles, EUA, destinados a familiares do parlamentar.
  • Repasses de dinheiro, incluindo uma transferência de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One Participações S.A. (ligada ao grupo Master/Credcesta) para a BN Financeira Ltda., empresa vinculada ao núcleo familiar do senador.
  • Viagens para o exterior, como uma à Ilha da Paixão, com aeronave particular supostamente disponibilizada por Augusto Ferreira.

A defesa de Wagner e a solidariedade de Lula

Em resposta às acusações, o senador Jaques Wagner negou qualquer relação com Daniel Vorcaro e afirmou que os US$ 49 mil em espécie (equivalente a R$ 250 mil) apreendidos em um endereço em Brasília são provenientes de diárias pagas pelo Senado por suas viagens internacionais como parlamentar. Ele mencionou ter recebido aproximadamente US$ 70 mil em diárias desde 2019 e que também comprou dólares ou euros via Banco do Brasil para outras viagens.

Wagner também relembrou uma investigação anterior, há oito anos, sobre a Fonte Nova, que foi arquivada. Segundo ele, as autoridades julgarão a consistência de suas explicações. O senador revelou ainda que o presidente Lula o telefonou para prestar solidariedade após a operação da PF.

Outras frentes da investigação e críticas a Flávio Bolsonaro

Fernando Haddad também estendeu suas críticas a outros políticos, mencionando o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Haddad questionou a razoabilidade de um pedido de R$ 134 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro, sugerindo que o valor é desproporcional e que o filme deveria ter sido feito no Brasil, não nos Estados Unidos. “Talvez também coubesse uma busca e apreensãozinha para saber o que aconteceu ali”, alfinetou o petista, indicando a necessidade de mais esclarecimentos sobre a origem e o destino desses recursos.

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Fonte: G1

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