A corrida eleitoral pelo governo de São Paulo revela ritmos de gastos bastante distintos entre os dois principais candidatos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT). Enquanto a campanha de Tarcísio se aproxima do limite máximo permitido pela Justiça Eleitoral, a de Haddad opera com uma margem considerável, conforme os dados mais recentes da prestação de contas parcial.
As informações, disponibilizadas pelo DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atualizadas até a última segunda-feira, dia 21, oferecem um panorama detalhado de como os recursos estão sendo aplicados na disputa pelo maior colégio eleitoral do país. A análise desses números não apenas expõe as estratégias financeiras, mas também as prioridades de cada candidatura na busca pelo voto paulista.
Disparidade nos gastos e o teto eleitoral
Tarcísio de Freitas declarou despesas que somam R$ 23,7 milhões, o que representa impressionantes 88% do teto eleitoral estabelecido para o primeiro turno. Em contraste, Fernando Haddad informou gastos de R$ 12,3 milhões, atingindo 46% do limite. O teto de gastos para candidatos a governador no primeiro turno é de R$ 26.683.209,24. Para um eventual segundo turno, cada candidato poderá gastar um adicional de R$ 13.341.604,62.
A transparência é um pilar fundamental do processo eleitoral. As prestações de contas referentes ao primeiro turno devem ser encaminhadas entre 5 de outubro e 3 de novembro. Para o segundo turno, o prazo se estende de 26 de outubro a 14 de novembro. É crucial que os candidatos cumpram esses prazos, pois aqueles que não apresentarem as contas ou permanecerem omissos não poderão ser diplomados, tendo sua situação regularizada como condição para assumir o cargo.
A estratégia de Tarcísio: comunicação e apoio externo
A campanha de Tarcísio de Freitas, com seus R$ 23,7 milhões em gastos, distribuiu os recursos entre 53 empresas e pessoas físicas. A maior fatia, R$ 4,5 milhões em dois contratos, foi destinada à PLTK Comunicação Estratégica, representando quase 20% do total. A PLTK, especializada em comunicação política e campanhas eleitorais, foi fundada em 2023 por Pablo Alejandro Nobel, Fabio Modena, Bruno Bernardes de Oliveira e Marcelo Arbex. Nobel é conhecido por sua atuação como consultor de comunicação na campanha do presidente argentino Javier Milei e também na vitoriosa campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo em 2022, evidenciando uma rede de apoio e expertise consolidada.
Outras empresas ligadas à comunicação, marketing e produção audiovisual também receberam valores significativos: D. P. Malachias – Filmes (R$ 3,8 milhões), Connect Filmes – Produção de Filmes e Publicidade (R$ 3,5 milhões) e Estúdio 9 Produções Audiovisuais (R$ 468,6 mil). Daniel Parra Malachias, fundador da D. P. Malachias, tem um histórico de produção em campanhas eleitorais e já trabalhou com o governo de São Paulo em outras ocasiões. Os gastos jurídicos também são expressivos, totalizando R$ 3,7 milhões, com o escritório Malheiros, Penteado e Toledo recebendo R$ 3 milhões.
No ambiente digital, a campanha de Tarcísio investiu R$ 2,38 milhões em promoção de conteúdo, com R$ 2,079 milhões pagos à DLocal para impulsionamento e R$ 300 mil ao Facebook. O transporte aéreo também figura nas despesas, somando R$ 650 mil, divididos entre SPAIR – Táxi Aéreo e Líder Táxi Aéreo.
Fernando Haddad: concentração de verbas e apoio partidário
A campanha de Fernando Haddad, que declarou R$ 12,3 milhões em gastos, distribuiu essa quantia entre 24 empresas. O diretório nacional do PT é o principal financiador, respondendo por 94,58% dos recursos recebidos. Houve, inclusive, relatos do jornal O Globo sobre um corte de verbas do diretório nacional do partido para a campanha de Haddad.
Diferentemente da campanha de Tarcísio, que pulveriza mais seus gastos, Haddad concentra mais da metade (53%) de suas despesas em uma única empresa: a Urissanê Comunicação Ltda., que recebeu R$ 6,5 milhões para a produção de programas de rádio, televisão ou internet. Fundada em 2017 pelo marqueteiro político Otávio Antunes, a Urissanê é conhecida por atender candidatos do PT e já recebeu R$ 8,7 milhões nesta eleição, prestando serviços também para outras figuras do partido.
A concentração em comunicação se estende a outros canais, com R$ 1,32 milhão destinado ao Facebook para impulsionamento e R$ 1 milhão à MCA Produções Artísticas. A estrutura jurídica também é relevante, com R$ 1,89 milhão distribuído entre sete empresas, incluindo Bertoni Soares Advogados (R$ 715 mil) e Silveira Andrade Advogados (R$ 640 mil), este último prestando serviços para 12 candidatos do PT. Um gasto notável fora das áreas de comunicação e jurídica é de R$ 300 mil com segurança e prevenção contra violência política, pago à DG Serviços de Vigilância.
Acompanhar os gastos de campanha é fundamental para entender a dinâmica e as estratégias por trás das eleições. O M1 Metrópole segue atento a esses e outros desdobramentos, oferecendo uma cobertura aprofundada e contextualizada sobre os temas que impactam a sociedade. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e variedade de temas.