PUBLICIDADE

Gás natural mais barato no Rio: Acordo entre estado, Petrobras e Naturgy reduz preços

anp/arquivo
Reprodução Agência Brasil

O estado do Rio de Janeiro alcançou um marco significativo para a economia local e o bolso dos consumidores. Um acordo selado entre o governo estadual, a Petrobras e a Naturgy, concessionária responsável pela distribuição de gás, promete uma redução nos preços do gás natural veicular (GNV), do gás de cozinha e do combustível fornecido às indústrias. A iniciativa visa aliviar os custos para milhões de fluminenses e impulsionar setores estratégicos da economia.

A estimativa do governo do Rio aponta que cerca de 1,5 milhão de motoristas que utilizam GNV serão diretamente beneficiados com a queda nos preços. Além do setor automotivo, a parceria estende seus efeitos para o gás de cozinha, essencial para os lares, e para o gás industrial, vital para a produção e competitividade das empresas no estado.

Detalhes do Acordo e os Benefícios Imediatos

A redução percentual exata será definida após um cálculo minucioso realizado pela Naturgy, que considerará diversas variáveis de mercado. Este cálculo será então submetido à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) para validação. Somente após a aprovação da Agenersa, as novas tarifas entrarão em vigor, trazendo o alívio esperado para os consumidores.

As projeções iniciais indicam uma redução de aproximadamente 6,5% no preço do GNV. Para o gás natural fornecido às indústrias, a expectativa é de um recuo de 6%. Já os consumidores residenciais devem sentir o impacto no preço do gás de cozinha, que ficará cerca de 2,5% mais barato. O aditivo do contrato com a Naturgy foi homologado pela Agenersa na última quinta-feira, 14 de maio, e os detalhes completos serão publicados no Diário Oficial do Estado na próxima semana, tornando o processo transparente e acessível ao público.

O Rio de Janeiro como Polo Estratégico do Gás Natural

A Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, que atuou como mediadora crucial no aditivo ao contrato de compra e venda de gás natural entre a Petrobras e a Naturgy, ressaltou o potencial de política pública energética do acordo. O Rio de Janeiro se destaca como o principal mercado de GNV no Brasil, uma posição consolidada por fatores como a presença das maiores bacias produtoras de gás e a concessão de benefícios estaduais, a exemplo do desconto no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para veículos movidos a gás.

A relevância do estado no cenário energético nacional é inegável. Em 2025, o Rio de Janeiro foi responsável por impressionantes 76,90% de toda a produção de gás natural do país, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Essa liderança produtiva confere ao estado uma posição privilegiada para influenciar a política de preços e o desenvolvimento do setor.

GNV na Contramão da Crise: Contexto Macroeconômico

A redução dos preços do gás no Rio de Janeiro ocorre em um cenário global de alta volatilidade. Internacionalmente, os preços dos derivados de petróleo têm sofrido uma escalada, impulsionada principalmente pela guerra no Irã. O conflito na região, que concentra importantes países produtores e o estratégico Estreito de Ormuz (por onde passavam 20% da produção mundial de petróleo e gás natural antes da guerra), gerou bloqueios e interrupções na cadeia logística, resultando em um aumento de mais de 40% no preço internacional do óleo cru em poucas semanas.

Mesmo diante dessa pressão global, o gás veicular no Brasil tem demonstrado resiliência. Em abril, enquanto a gasolina foi o principal vetor de alta da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, o GNV registrou um comportamento inverso, ficando 1,24% mais barato. Esse fenômeno é explicado, segundo o analista do IBGE Fernando Gonçalves, pela menor dependência do GNV em relação às importações, o que o torna menos suscetível às flutuações do mercado internacional de petróleo.

Estratégia da Petrobras e o Futuro da Produção de Gás

Aumentar a produção de gás no país é uma das prioridades da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, desde que assumiu o comando da companhia em junho de 2024. A executiva tem defendido que a expansão da produção é o caminho mais eficaz para a redução dos preços do combustível. Ela destacou que, ao assumir, a empresa disponibilizava 29 milhões de metros cúbicos (m³) de gás por dia no mercado, e atualmente esse volume já alcança entre 50 milhões e 52 milhões de m³.

Chambriard enfatiza a importância da lei da oferta e da procura: “O que baixa o preço do gás é investir para produzir mais, porque ainda não revogaram a lei da oferta e da procura. Enquanto não revogarem a lei da oferta e da procura, quanto mais gás, menor preço”, declarou. Essa visão estratégica da Petrobras alinha-se diretamente com os objetivos de baratear o gás para consumidores e indústrias, como visto no acordo do Rio de Janeiro.

Gás Natural e a Cadeia de Alimentos: O Impacto nos Fertilizantes

A disponibilidade de gás natural a preços mais competitivos tem um impacto que se estende muito além do setor de energia. A presidente da Petrobras também mencionou que a reativação da fábrica de fertilizantes da estatal em Camaçari, na Bahia, só foi possível graças ao preço mais acessível do gás natural. O combustível é uma matéria-prima fundamental para a produção de ureia, um dos fertilizantes mais utilizados globalmente.

Com três fábricas de fertilizantes em operação (Sergipe, Bahia e Paraná), a Petrobras projeta atender a 20% da demanda nacional. A empresa ainda planeja a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, com previsão de início de operação comercial em 2029. Com isso, a participação da Petrobras no mercado nacional de ureia deve subir para 35%. O Brasil, um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, importa cerca de 80% do volume que utiliza, tornando a produção nacional estratégica para a segurança alimentar e a economia agrícola.

Acompanhe o M1 Metrópole para mais informações sobre economia, energia e os desdobramentos deste e de outros acordos que impactam diretamente a vida dos brasileiros. Nosso compromisso é trazer notícias relevantes, atuais e contextualizadas, mantendo você sempre bem informado.

Leia mais

PUBLICIDADE