O estado de São Paulo enfrenta uma escalada preocupante nos crimes contra o patrimônio público e privado. Dados da Sabesp revelam que o furto de hidrômetros, os medidores de água instalados em residências e comércios, registrou um salto de 74,7% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Ao todo, 23.724 equipamentos foram subtraídos, uma média alarmante de 131 casos por dia.
A valorização dos metais e o impacto social
O fenômeno está diretamente ligado à valorização internacional de metais como o cobre e o zinco, componentes essenciais na estrutura de latão da maioria dos hidrômetros. Com a cotação do cobre atingindo patamares recordes na Bolsa de Metais de Londres, o material tornou-se um alvo lucrativo para o mercado clandestino. Segundo Luiz Renato Fraga Rios, diretor de proteção da receita da Sabesp, o perfil dos autores dos furtos envolve, majoritariamente, pessoas em situação de vulnerabilidade que buscam nos metais uma fonte rápida de recursos para o consumo de drogas.
O impacto, contudo, transcende a perda do equipamento. A remoção irregular dos medidores provoca vazamentos severos, com potencial de desperdiçar até 100 litros de água por hora. Esse desperdício não apenas eleva o custo operacional da companhia, mas pode comprometer o abastecimento em regiões inteiras, gerando um prejuízo que, segundo estimativas da empresa, superou R$ 2 milhões apenas nos primeiros seis meses de 2026.
Estratégias de substituição e tecnologia
Diante da recorrência do problema, a Sabesp tem acelerado a troca dos medidores metálicos por modelos fabricados em composite, um material plástico que não possui valor comercial para receptadores. A companhia iniciou um projeto de modernização que prevê a instalação de 4 milhões de hidrômetros inteligentes. Estes dispositivos, além de serem imunes ao interesse criminoso, contam com sistemas de geolocalização e conectividade, facilitando o monitoramento remoto e a detecção de fraudes.
A substituição já está em curso em cidades como São José dos Campos e na capital paulista, com cronogramas que se estendem até 2029. Enquanto a troca não é universalizada, a empresa mantém um prazo regulatório de 48 horas para a reposição dos aparelhos furtados. Para que o consumidor não seja prejudicado na fatura, a recomendação é que seja feito o registro de um boletim de ocorrência, permitindo que o consumo seja calculado com base na média histórica do imóvel.
Combate à receptação e segurança pública
O combate a essa modalidade criminosa exige, segundo especialistas, uma atuação que vá além do patrulhamento ostensivo. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que as polícias Civil e Militar trabalham de forma integrada para desmantelar a cadeia econômica que sustenta o furto de metais. A estratégia foca na fiscalização de ferros-velhos clandestinos, locais onde os hidrômetros são processados antes de serem reintroduzidos no mercado.
Recentemente, operações policiais em municípios como São João da Boa Vista resultaram na prisão de suspeitos e na apreensão de toneladas de materiais metálicos de origem ilícita. Apesar das ações, o desafio permanece complexo, dado que 95% dos 10 milhões de hidrômetros ativos na rede da Sabesp ainda são compostos por metais. A colaboração da população, por meio de denúncias e envio de imagens de câmeras de segurança, tem sido apontada como um fator decisivo para auxiliar as investigações e inibir novas ocorrências.
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Para mais detalhes sobre os procedimentos em caso de furto, consulte o site oficial da Sabesp.