O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, evitou declarar seu posicionamento direto sobre a votação do fim da escala de trabalho 6×1 no Senado. Em entrevista concedida ao programa Domingo Espetacular, da Record, exibida neste domingo, 30 de agosto de 2026, o parlamentar reforçou sua defesa por uma proposta alternativa àquela apoiada pelo governo Lula (PT), enfatizando a liberdade do trabalhador para definir sua própria jornada.
A discussão em torno da escala 6×1 tem sido um dos pontos nevrálgicos no Congresso Nacional, com o governo federal buscando a aprovação da medida antes das próximas eleições. A proposta, que visa eliminar a escala 6×1 sem a redução salarial, já obteve aprovação na Câmara dos Deputados no primeiro semestre e agora enfrenta um cenário de intensa negociação e debate no Senado.
O avanço da pauta governista no Senado
A proposta de alteração na jornada de trabalho, que se tornou uma das principais bandeiras da campanha de reeleição do presidente Lula, ganhou novo fôlego nos últimos dias. Após um período de estagnação no Senado, o tema teve um avanço significativo, gerando a expectativa de que possa ser analisado ainda nesta semana pela casa legislativa.
Esse progresso foi selado na última quarta-feira, 26 de agosto, durante uma reunião estratégica que contou com a presença do presidente da República, Lula, e dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O encontro sinalizou um alinhamento para destravar a pauta e acelerar sua tramitação.
Na quinta-feira seguinte, 27 de agosto, o senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mantendo o texto original aprovado pela Câmara em maio. A decisão de não alterar o conteúdo da PEC pelo Senado é estratégica, pois qualquer modificação exigiria que o texto retornasse à Câmara, um trâmite que poderia inviabilizar a promulgação da medida antes do período eleitoral.
Flávio Bolsonaro e a defesa da liberdade do trabalhador
Questionado especificamente sobre como votaria caso a proposta fosse apreciada em setembro, Flávio Bolsonaro não forneceu uma resposta definitiva. Contudo, ele reiterou sua posição em favor de um modelo alternativo que priorize a autonomia individual na organização do tempo de trabalho.
“O que a gente está defendendo? É a liberdade. Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estão na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser, você vai montar a sua escala de trabalho”, explicou o senador. Ele complementou que essa é a alternativa que a oposição pretende oferecer, concedendo ao trabalhador a prerrogativa de escolher sua jornada.
Para embasar seu argumento, Flávio Bolsonaro citou casos recentes de recuperação judicial de grandes empresas, como as Casas Bahia e o Habib’s. Segundo ele, esses exemplos ilustram um “ambiente muito hostil para criação de empregos” no Brasil, sugerindo que a proposta do governo poderia agravar a situação econômica e dificultar a geração de novas vagas.
Estratégias da oposição e emendas alternativas
Em resposta à proposta governista, a oposição no Senado tem se articulado para apresentar alternativas. Foram protocoladas 14 emendas com o objetivo de modificar a PEC aprovada pela Câmara. Uma das emendas mais relevantes propõe a manutenção da jornada de 44 horas semanais na Constituição, deixando a eventual redução a critério de negociações coletivas ou contratos por hora.
Essa abordagem alinha-se diretamente com o modelo defendido por Flávio Bolsonaro, que busca maior flexibilidade e poder de decisão para o empregado. Além disso, a bancada bolsonarista também apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) própria, que estabelece um novo regime de trabalho baseado no pagamento por hora trabalhada, reforçando a visão de que o mercado deve ter mais liberdade para se adaptar às necessidades dos trabalhadores e das empresas.
Outras questões e a postura evasiva
Durante a mesma entrevista, Flávio Bolsonaro foi novamente questionado sobre a apresentação de contratos, documentos ou números auditados referentes ao dinheiro doado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador, no entanto, manteve a postura evasiva que tem adotado em outras ocasiões, reiterando que não haveria irregularidade em buscar patrocínio privado para um projeto cinematográfico particular.
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Para mais informações sobre o processo legislativo e as propostas em debate, você pode consultar o site oficial da Câmara dos Deputados.