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Figurinhas da Copa 2026 – Colecionadores buscam trocas para driblar o alto investimento

© Joédson Alves/Agência Brasil
© Joédson Alves/Agência Brasil

A paixão nacional pelo futebol ganha uma dimensão extra a cada quatro anos com o lançamento do álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Para a edição de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, a tradição vem acompanhada de um desafio financeiro considerável. Com o aumento do número de seleções participantes de 32 para 48, a coleção da editora Panini se expandiu significativamente, elevando o custo para os entusiastas que sonham em completar o seu exemplar.

Este cenário tem impulsionado uma prática antiga e muito valorizada entre os colecionadores: a troca de figurinhas. Longe de ser apenas uma forma de economizar, os encontros para trocas se consolidam como verdadeiros pontos de socialização e estratégia, onde a comunidade se une para atenuar o impacto no bolso e garantir a alegria de ver o álbum preenchido.

O desafio financeiro da coleção gigante

A edição de 2026 do álbum da Copa do Mundo apresenta a maior coleção já lançada pela Panini, com mais de 980 figurinhas. Esse volume, reflexo direto do aumento de seleções no torneio, significa mais páginas e, consequentemente, um investimento maior para os colecionadores.

No Brasil, o custo para completar o álbum pode ultrapassar os R$ 7,3 mil para quem opta por comprar apenas os pacotes, sem recorrer às trocas. Cada pacote, contendo sete unidades, é vendido a R$ 7. Em um cenário ideal, sem nenhuma repetição – o que é quase impossível devido à distribuição aleatória –, o gasto mínimo seria de R$ 1.004,90, considerando 140 pacotes (R$ 980) e o álbum brochura padrão (R$ 24,90).

A tradição das trocas: uma solução econômica e social

Diante dos valores elevados, a troca de figurinhas emerge como a principal alternativa para os colecionadores. Juntar-se a amigos e outros entusiastas em locais específicos para trocar os cromos repetidos, no formato “um por um”, pode reduzir o custo em até 80%. Nesses casos, o investimento total para completar o álbum pode variar entre R$ 1.200 e R$ 1.700.

Esses pontos de encontro, que tradicionalmente são bancas de jornal, praças ou shoppings, transformam-se em vibrantes centros de interação. Ali, a busca por uma figurinha específica se mistura com a troca de experiências e a construção de laços, reforçando o aspecto comunitário da coleção.

O mercado das raridades: figurinhas especiais e a busca frenética

Além das 980 figurinhas da coleção principal, o álbum de 2026 inclui 68 itens especiais, conhecidos como “Extra Stickers” da série Legends. Essas versões raras de alguns dos principais jogadores do mundo são categorizadas por níveis de raridade: bordeaux, bronze, prata e dourada. A figurinha dourada, a mais cobiçada, é encontrada em apenas um a cada 1.900 pacotes, segundo a Panini.

Entre as mais procuradas estão as de astros como Cristiano Ronaldo (Portugal), Lionel Messi (Argentina), Kylian Mbappé (França), Lamine Yamal (Espanha) e o brasileiro Vinicius Júnior. Em plataformas de compra e venda online, algumas dessas figurinhas douradas já superam os R$ 500, transformando os pontos de troca em verdadeiros mercados de negociação.

Guilherme Ferreira, estudante de Engenharia da Universidade Federal Fluminense (UFF), observa a intensidade desse mercado. “Nos pontos de troca, só ficou o pessoal mais desesperado para conseguir trocar essas figurinhas e muita gente querendo pagar valores altos. Tem um pessoal gastando realmente muito dinheiro”, relatou ele ao repórter Rafael Sofia, da Rádio da UFRJ.

Discrepâncias e curiosidades: o álbum como cápsula do tempo

Uma curiosidade desta edição é a diferença entre os jogadores retratados no álbum e as convocações oficiais das seleções. Lançado em maio, o álbum teve sua produção iniciada meses antes do anúncio das listas finais de convocados. Isso resultou na inclusão de jogadores que acabaram ficando de fora da Copa, seja por lesão ou decisão técnica, e na ausência de outros que foram chamados.

No Brasil, nomes como Rodrygo, Éder Militão e Estevão ganharam figurinhas, mesmo não estando na lista do técnico Carlo Ancelotti. Essa situação se repetiu em outras seleções, mostrando como o álbum, de certa forma, registra um retrato do cenário futebolístico meses antes do torneio. A ausência de Neymar Júnior na primeira versão da coleção também chamou a atenção, embora o estudante Guilherme Ferreira brinque que “ninguém sabia se ele ia ou não, provavelmente, não iria”.

A paixão que supera o preço: o olhar dos colecionadores

Apesar dos desafios financeiros e das particularidades da coleção, a paixão por completar o álbum da Copa do Mundo permanece inabalável. Para muitos, como o engenheiro Lucas Antonio Pinheiro, o investimento é parte de uma experiência maior. “Estamos com cerca de 50% do álbum completo e, até o momento, gastamos em torno de R$ 800. É um valor considerável, mas encaramos mais como uma experiência do que apenas um gasto”, afirmou Pinheiro.

Enquanto a bola rola nos gramados da América do Norte, a disputa segue acirrada também fora deles, entre colecionadores que equilibram o orçamento, a busca por raridades e a alegria de participar de uma tradição que transcende gerações. A troca de figurinhas, mais do que uma estratégia econômica, reafirma o espírito comunitário e a resiliência da paixão pelo futebol.

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