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Influenciadoras pink pill usam humor e satira para rebater a misoginia na internet

Influenciadoras pink pill usam humor e satira para rebater a misoginia na internet
Dylan Gayer/Divulgação

Um vídeo com duas irmãs ensinando mulheres a lavar louça acumula 1,6 milhão de visualizações no Instagram. Uma das dicas é deixar água quente por perto, enquanto outra sugere pedir a ajuda de vizinhos para evitar riscos ao realizar a tarefa. Contudo, o conteúdo não trata de limpeza doméstica, mas aborda de forma irônica o grave problema da violência doméstica.

O surgimento da estrategia pink pill nas redes sociais

No perfil “Seja Pink Pill”, a psicóloga Cah Fernandes, 22, e a administradora Hyla, 26, discutem temas como padrões estéticos, voto feminino, machismo e independência financeira. O conteúdo utiliza uma abordagem satírica para confrontar diretamente os discursos e preconceitos difundidos por criadores ligados a correntes antifeministas. A iniciativa busca criar um contraponto digital em um ambiente virtual frequentemente dominado por narrativas de hostilidade contra as mulheres.

O conceito adotado pelas criadoras dialoga inversamente com a chamada subcultura redpill, cujos adeptos propagam estereótipos de gênero e visões retrógradas inspiradas na famosa metáfora do filme Matrix. Enquanto o movimento masculino costuma pregar o afastamento ou a hostilidade em relação às mulheres, as irmãs baianas optam por ressignificar símbolos tradicionais de feminilidade, como o uso de roupas cor-de-rosa associado a elementos de força, autonomia financeira e autodefesa.

Comunidade e acoes presenciais em salvador

Além da produção de vídeos bem-humorados, o projeto expandiu-se para o ambiente off-line. A dupla formou um grupo de mensagens que reúne cerca de 500 participantes, promovendo conexões seguras e trocas de vivências entre o público feminino. Na capital baiana, onde residem, ocorrem encontros periódicos que incluem atividades como piqueniques, esportes radicais e treinamentos práticos de autodefesa.

A repercussão digital, no entanto, traz desafios cotidianos. A dupla relata ter recebido diversos ataques verbais de usuários da chamada machosfera, que as acusam de promover a misandria. Em resposta, as criadoras utilizam o deboche para neutralizar as investidas e expor as fragilidades dos argumentos contrários. Segundo elas, o avanço de discursos misóginos na internet tem gerado um clima de maior ousadia e intimidação no ambiente físico.

O cenario de embates digitais e violencia de genero

O crescimento do perfil ocorre em um momento marcado pelo aumento de episódios de violência contra a mulher, feminicídios e questionamentos públicos a direitos básicos conquistados historicamente, como o sufrágio feminino. Paralelamente, ganham tração nas redes sociais canais comandados por influenciadoras de matiz conservador, intensificando a polarização em torno dos papéis sociais de gênero na contemporaneidade.

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