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Justiça interroga tenente-coronel acusado de matar a esposa PM em São Paulo

Justiça interroga tenente-coronel acusado de matar a esposa PM em São Paulo
1 de 2 O tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa, a PM Gisele Alves Santana. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Interrogatório marca nova etapa no processo por feminicídio

O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Neto, enfrenta nesta segunda-feira (5) um momento decisivo no processo judicial que apura a morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O oficial, que se encontra preso, prestará depoimento presencial às 13h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista. Ele é réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual.

O caso, que chocou a corporação e a opinião pública, ganhou contornos mais complexos após a conclusão de um novo laudo pericial. O documento, elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC), contesta a versão apresentada pelo réu, que sustenta desde o início das investigações a tese de que a esposa teria cometido suicídio no apartamento do casal, localizado no Centro de São Paulo, em 18 de fevereiro.

Perícia aponta incompatibilidade na cena do crime

A análise técnica realizada pelos peritos focou na dinâmica do disparo e na posição em que o corpo da soldado foi encontrado. Segundo os especialistas, os testes de balística e a reconstituição da cena indicam que seria fisicamente impossível que Gisele Alves tivesse efetuado o disparo contra a própria cabeça da forma como foi descrita pelo marido.

Entre os pontos cruciais destacados pelo laudo, está a localização da arma, encontrada sobre um guarda-roupa de aproximadamente 2 metros de altura, enquanto a vítima possuía 1,65 metro. Além disso, a trajetória do projétil, que atravessou a cabeça da esquerda para a direita, levanta questionamentos, já que a soldado era destra. Os peritos também refutaram a alegação de Geraldo Neto de que ele estaria no banheiro no momento do disparo, concluindo que, daquela posição, ele não teria visão direta da esposa.

Contexto de violência e desdobramentos na corporação

O Ministério Público sustenta que o crime foi motivado por ciúmes e um comportamento de possessividade do oficial em relação à esposa. A investigação aponta que, após o disparo, o tenente-coronel teria tentado alterar a cena do crime para simular um ato contra a própria vida. O caso segue acompanhado de perto pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que avalia as provas documentais e testemunhais.

Além da esfera criminal, o oficial responde a um processo administrativo disciplinar dentro da Polícia Militar. Esse procedimento interno pode resultar na expulsão definitiva de Geraldo Neto das fileiras da corporação. O réu, que já prestou depoimentos anteriores à Polícia Civil e à própria PM, nega veementemente as acusações, mantendo a versão de que a morte de Gisele Alves foi um suicídio.

O M1 Metrópole segue acompanhando o desdobramento deste caso, trazendo atualizações precisas sobre as decisões judiciais e os impactos deste episódio na segurança pública. Continue conosco para se manter informado com credibilidade sobre os fatos que movimentam o cenário nacional.

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