Tragédia durante negociação de divórcio no Pará
Um crime de feminicídio abalou a cidade de Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará, na última quarta-feira (3). A empresária Icicléia Alves Veloso, de 41 anos, foi assassinada pelo seu ex-marido, o ex-prefeito e atual vereador Romilson Veloso e Silva, de 69 anos. O crime ocorreu dentro de um escritório de advocacia, onde o casal se encontrava para tratar dos trâmites legais do divórcio.
O caso, que chocou a população local, foi registrado por câmeras de segurança instaladas no local. As imagens, que já estão sob análise da Polícia Civil, revelam a dinâmica da ação. Segundo as autoridades, não houve discussão prévia entre o casal antes do disparo. O ex-prefeito, aproveitando um momento em que ficaram a sós em uma das salas, posicionou-se atrás da cadeira onde a vítima estava sentada e efetuou um disparo contra a nuca da empresária.
Investigação e desdobramentos do caso
Após cometer o ato, o político, conhecido na região como Dr. Veloso, teria tirado a própria vida. O corpo dele foi localizado posteriormente no banheiro do estabelecimento, apresentando um ferimento por arma de fogo na boca. O delegado Elioenai de Jesus, responsável pela investigação, afirmou que os indícios apontam para um crime premeditado, descartando a hipótese de um desentendimento momentâneo.
Icicléia Alves Veloso chegou a ser socorrida e encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional da PA-279. Apesar dos esforços médicos, ela não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado na tarde de quinta-feira (4). O casal, que era figura conhecida na política e no empreendedorismo da cidade, deixa dois filhos adolescentes.
Contexto de violência contra a mulher
O episódio em Ourilândia do Norte reforça as estatísticas alarmantes de violência de gênero no Brasil. Dados recentes do Atlas da Violência, estudo realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicam que 3.642 mulheres foram assassinadas no país em 2024. O número representa uma taxa de 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres, evidenciando a persistência do feminicídio como um grave problema de saúde pública e segurança.
Desde a implementação da Lei do Feminicídio em 9 de março de 2015, o Código Penal brasileiro passou a tipificar de forma específica o assassinato de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou motivado por menosprezo à condição de gênero. A legislação busca não apenas punir, mas dar visibilidade à misoginia que permeia crimes cometidos em ambientes íntimos.
Repercussão local e luto oficial
A Prefeitura de Ourilândia do Norte decretou luto oficial de três dias em memória das vítimas. O ex-prefeito, que exerceu quatro mandatos à frente do Executivo municipal antes de assumir uma cadeira no Legislativo em 2024, foi velado na sede da Maçonaria da cidade. A comoção tomou conta da comunidade, que acompanhou o desenrolar do caso com perplexidade.
O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e os impactos sociais deste caso na região. Para se manter informado sobre os principais acontecimentos do Brasil e do mundo, com reportagens aprofundadas e análise contextualizada, continue acompanhando nosso portal e assine nossas newsletters.