PUBLICIDADE

Caso Gisele: PM retoma julgamento que pode expulsar tenente-coronel acusado de feminicídio

Caso Gisele: PM retoma julgamento que pode expulsar tenente-coronel acusado de feminicídio
1 de 2 O tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa, a PM Gisele Alves Santana. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Conselho de Justificação da Polícia Militar de São Paulo deu início, nesta quarta-feira (30), a uma etapa decisiva no processo administrativo que pode resultar na expulsão do tenente-coronel Geraldo Neto. O oficial é réu sob a acusação de ter assassinado sua esposa, a soldado da PM Gisele Alves, em um crime que chocou a corporação e levantou debates sobre violência doméstica e abuso de poder dentro das forças de segurança.

Contexto e desdobramentos do processo administrativo

O procedimento, que tramita independentemente da esfera criminal, tem como objetivo central avaliar a conduta moral e a permanência do oficial nos quadros da Polícia Militar. O colegiado, composto por três coronéis, analisa depoimentos e provas para determinar se o comportamento de Geraldo Neto é incompatível com as exigências da instituição. Caso a expulsão seja confirmada, o processo seguirá para o Tribunal de Justiça Militar (TJM), instância que detém a prerrogativa de decretar a perda definitiva do posto e da patente.

A audiência desta quarta-feira foi focada na oitiva de testemunhas de defesa. O oficial, que está detido desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, nega as acusações. Em sua versão, o tenente-coronel alega que a morte de Gisele Alves, ocorrida em 18 de fevereiro no apartamento do casal, tratou-se de um suicídio. A tese, contudo, é frontalmente contestada por laudos periciais e investigações conduzidas pelo Ministério Público.

Investigações e o histórico de violência

O caso ganhou contornos mais graves à medida que novas informações vieram a público. Depoimentos colhidos ao longo da investigação apontam para um histórico de comportamento controlador e possessivo por parte do acusado. Amigas da vítima relataram que o oficial monitorava as redes sociais, conversas e até mesmo escolhas pessoais de Gisele, como o uso de maquiagem e perfume. Segundo relatos, a soldado pretendia encerrar o relacionamento após descobrir traições, o que teria motivado o crime.

Além da acusação principal de feminicídio, o tenente-coronel responde por fraude processual. A denúncia aponta que ele teria tentado simular a cena do suicídio e intimidado policiais que atenderam à ocorrência no dia do crime. Imagens captadas pelas câmeras corporais (body cams) dos agentes que chegaram ao local foram fundamentais para a coleta de provas, revelando detalhes sobre a preservação do ambiente que levantaram suspeitas imediatas dos investigadores.

Próximos passos na esfera criminal

Enquanto o processo administrativo segue seu curso na PM, o caso avança na Justiça comum. No dia 5 de outubro, Geraldo Neto passará por uma audiência de interrogatório presencial no Fórum Criminal da Barra Funda. Este momento é crucial, pois servirá de base para que o juiz decida se o acusado será levado a júri popular. A expectativa é que o desfecho traga respostas para a família da vítima, que busca justiça pela morte de Gisele, que deixou uma filha de 7 anos.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos deste caso, comprometido em levar aos seus leitores informações apuradas, transparentes e relevantes sobre os fatos que impactam a sociedade. Para continuar bem informado sobre justiça, segurança pública e outros temas essenciais, acompanhe nossas atualizações diárias e assine nossa newsletter.

Para mais detalhes sobre o andamento das investigações, consulte o portal oficial do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Leia mais

PUBLICIDADE