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Falhas em registros de redes sociais de candidatos geram distorção no pleito eleitoral

Falhas em registros de redes sociais de candidatos geram distorção no pleito eleitoral
Jardiel Carvalho - 16.set.25/Folhapress

A transparência no ambiente digital tornou-se um dos pilares fundamentais das eleições contemporâneas, mas a prática tem revelado lacunas preocupantes. Um levantamento recente aponta que diversos candidatos, incluindo figuras de destaque no cenário político nacional, deixaram de declarar à Justiça Eleitoral a totalidade de suas redes sociais ou forneceram links incorretos durante o registro de suas candidaturas. Essa omissão, que se repete em diferentes esferas, gera um desequilíbrio competitivo que impacta diretamente a forma como o eleitor consome conteúdo político.

O impacto das regras do TSE no alcance digital

Desde 2024, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou uma norma com consequências práticas severas para a visibilidade dos postulantes a cargos públicos. A regra determina que as plataformas digitais devem excluir os perfis declarados pelos candidatos à Justiça de seus algoritmos de recomendação. Na prática, isso significa que postagens de contas oficiais não são exibidas para usuários que não seguem o perfil, limitando o alcance orgânico do conteúdo.

Essa medida visa coibir o impulsionamento desmedido e garantir maior controle sobre a propaganda eleitoral na internet. Contudo, o efeito colateral é uma distorção competitiva: candidatos que cumprem a lei e informam corretamente suas redes acabam em desvantagem frente a rivais que mantêm perfis ativos fora da base de dados do TSE, escapando assim dos filtros e restrições impostos pelas empresas de tecnologia.

Inconsistências e falhas nos registros oficiais

O levantamento identificou um padrão de irregularidades que vai além da simples omissão. Entre os nomes citados, o atual vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB), que busca a reeleição, não declarou nenhuma rede social à Justiça, apesar de manter presença ativa em plataformas como Instagram, TikTok e X. Outros nomes, como Tabata Amaral (PSB) e Coronel Tadeu (PRD), também figuram entre os que não informaram a totalidade de seus canais de comunicação digital.

Além da ausência de dados, a reportagem constatou o fornecimento de links errados. Casos como o do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil-BA), e dos candidatos a senador André do Prado (PL-SP) e Décio Lima (PT-SC) ilustram como a imprecisão documental pode gerar ruídos. Também foram identificadas inconsistências em campanhas de deputados estaduais, como Danilo Balas (PL-SP) e Pedro Nassif (PSOL-RJ), além de nomes com grande engajamento nacional, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Janones (Rede-MG).

O desafio da fiscalização e a busca por retificações

Diante das evidências, parte dos candidatos afirmou ter solicitado a retificação dos dados junto à Justiça Eleitoral, em alguns casos apenas após o contato da reportagem. No entanto, muitos relatam que os pedidos ainda não tiveram andamento. A ausência de uma resposta clara do TSE sobre como o órgão fiscaliza essas informações deixa em aberto o debate sobre a eficácia da norma e a proteção aos candidatos que optam pela conformidade.

O cenário reforça a necessidade de maior rigor no preenchimento dos registros e de uma atuação mais ágil da Justiça Eleitoral na atualização dessas bases. Enquanto o impasse persiste, o eleitor é quem navega em um ambiente onde a igualdade de condições, princípio básico da democracia, é colocada à prova pela própria arquitetura das redes sociais.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos das eleições e o impacto das novas tecnologias na política brasileira. Continue conosco para mais análises aprofundadas e informações apuradas sobre os bastidores do poder e o cenário eleitoral em tempo real.

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