O incidente chocante onde uma cliente esfaqueou um cabeleireiro em um salão na Zona Oeste de São Paulo, ocorrido na semana passada, continua a ganhar novos contornos com a apresentação da defesa da acusada. Laís Gabriela Barbosa da Cunha, de 27 anos, apontada como a agressora de Eduardo Ferrari após um desentendimento sobre um corte de cabelo, teve sua versão dos fatos divulgada. A defesa alega que Laís sofre de transtorno psicótico diagnosticado desde 2023 e que portava a faca para se proteger de assaltos na capital paulista, adicionando camadas de complexidade a um caso que já mobiliza a atenção pública.
facada: cenário e impactos
A repercussão do caso, que envolve saúde mental, segurança urbana e a dinâmica de conflitos em estabelecimentos comerciais, levanta questões importantes sobre como a sociedade lida com situações de descontrole e violência. A narrativa da defesa busca contextualizar as ações de Laís Gabriela, oferecendo uma perspectiva que contrasta com a gravidade da agressão sofrida pelo profissional.
O Incidente no Salão e a Insatisfação da Cliente
O episódio que ganhou destaque nacional ocorreu no salão de Eduardo Ferrari, localizado na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Segundo a defesa de Laís Gabriela, a cliente havia realizado um procedimento capilar de mechas com Ferrari em 7 de abril de 2026. No dia seguinte, ela teria percebido que o resultado não foi o esperado, alegando um “corte químico” que a deixou profundamente abalada.
Inconformada, Laís tentou contato com o salão em 13 de abril para solucionar o problema, mas, segundo seu advogado, Murilo Augusto Maia, não obteve retorno satisfatório. A situação escalou quando, após trocas de mensagens via WhatsApp, Laís decidiu retornar a São Paulo, vinda de Ribeirão Preto, para resolver a questão pessoalmente em 5 de maio de 2026, data do ataque.
A Versão da Defesa: Transtorno Psicótico e Autoproteção
O advogado criminalista Murilo Augusto Maia trouxe à tona informações cruciais sobre o estado de saúde de sua cliente. Laís Gabriela foi diagnosticada com “transtorno psicótico agudo e transitório não especificado” em 2023 e faz tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Recentemente, ela teria sido internada com um quadro de hepatite medicamentosa, o que a levou a interromper o uso dos medicamentos psiquiátricos.
A defesa argumenta que Laís estava “extremamente abalada” com a repercussão do caso e que jamais teve a intenção de tirar a vida de Eduardo Ferrari. Sobre a faca de cozinha encontrada em sua bolsa, o advogado explicou que Laís a portava para se proteger, após ter sido vítima de assalto nas proximidades do terminal rodoviário da Barra Funda. A defesa ainda alega que, ao chegar ao salão, Laís foi “tratada com desprezo e deboche”, o que teria contribuído para o descontrole da situação.
A Perspectiva da Vítima e a Reclassificação do Crime
Do outro lado, o cabeleireiro Eduardo Ferrari e sua advogada, Quecia Montino, buscam uma reclassificação do crime. Inicialmente registrado no 91º Distrito Policial (Ceasa) como lesão corporal, ameaça e autolesão, a defesa de Ferrari pretende que o Ministério Público de São Paulo investigue o caso como tentativa de homicídio e homofobia.
Montino descreveu o ataque como “repentino, desproporcional e violento pelas costas”, classificando-o como uma “grave tentativa de homicídio”. A advogada de Ferrari citou uma declaração de Laís Gabriela aos policiais, na qual ela teria dito que se dirigiu ao local com a intenção de “matar esse viado desgraçado”. Essa fala, se confirmada, reforça a tese de homofobia e premeditação da agressão. Eduardo Ferrari, em vídeo enviado ao g1, expressou seu profundo abalo com o ocorrido e cobrou punição para a agressora, enfatizando que “isso não pode ficar impune”. Ele deve prestar depoimento à Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (11), onde espera que a dinâmica da agressão seja analisada com maior profundidade.
A Investigação e os Próximos Passos Legais
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que a tipificação inicial da ocorrência é baseada nos elementos disponíveis no momento do registro, mas que pode haver uma reavaliação jurídica dos fatos. Isso significa que, com o surgimento de novas provas ou depoimentos, como o de Eduardo Ferrari, a classificação do crime pode ser alterada, sem prejuízo à atuação policial ou à análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A Polícia Civil, por sua vez, lamentou o ocorrido e comunicou que a Corregedoria da instituição instaurou um procedimento para apurar todas as circunstâncias relativas ao caso. A complexidade do cenário, que envolve questões de saúde mental, suposta autodefesa e alegações de tentativa de homicídio e homofobia, exige uma investigação minuciosa para que a justiça seja feita. A repercussão do caso também levanta discussões importantes sobre a segurança em estabelecimentos comerciais e a gestão de conflitos entre clientes e prestadores de serviço.
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