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Escola de baristas em São Paulo adota jornada 4×3 e vê faturamento disparar 35%

tugal reduzem escala para 4x3. De acordo com a empresária e fundadora da Coffe L
Reprodução Agência Brasil

Enquanto a sociedade brasileira e o Congresso Nacional intensificam o debate sobre a flexibilização das jornadas de trabalho, uma iniciativa inovadora na capital paulista oferece um exemplo prático dos benefícios potenciais de modelos alternativos. A Coffe Lab, uma renomada escola de baristas e gestão de cafeterias, implementou a escala de trabalho de quatro dias trabalhados por três de descanso (4×3) e registrou um impressionante aumento de 35% no faturamento em apenas um ano.

A experiência da Coffe Lab, que contrasta com a tradicional escala 6×1 predominante no Brasil e com a retração de 22% observada no setor de alimentação no mesmo período, acende um farol de esperança para empresas que buscam equilibrar produtividade com bem-estar de seus colaboradores. Fundada em 2004, a empresa, com duas unidades e mais de 30 funcionários, apostou na qualidade do tempo de trabalho em vez da quantidade, redefinindo o paradigma de sucesso.

A Revolução da Jornada na Coffe Lab

A transição para a escala de trabalho 4×3 na Coffe Lab não foi uma decisão isolada, mas um movimento estratégico iniciado em julho de 2025. Anteriormente, a escola operava no sistema 5×2, com 44 horas semanais. Em um acordo com seus funcionários, a jornada foi reduzida para 40 horas semanais, garantindo três folgas por semana, sendo duas delas consecutivas.

Isabela Raposeiras, empresária e fundadora da Coffe Lab, é a mente por trás dessa mudança. Sua visão era clara: o descanso adequado dos funcionários não apenas melhora a concentração e a atenção no trabalho, mas também se traduz diretamente em maior produtividade e, consequentemente, em um aumento significativo no faturamento da empresa.

Produtividade e Lucratividade em Ascensão

Os resultados financeiros da Coffe Lab são um testemunho eloquente da eficácia do novo modelo. “A produtividade aumentou barbaramente”, afirma Isabela Raposeiras. Em 2025, a empresa manteve o mesmo cardápio e preços, operou com o mesmo número de lugares em suas duas lojas e, mesmo com um fechamento de 17 dias para obras, seu faturamento cresceu 35%.

Este crescimento é ainda mais notável quando comparado ao cenário do setor de alimentação, que enfrentou uma queda de 22% no mesmo ano. A empresária atribui o sucesso à equipe mais descansada e motivada. “Nesse ramo de comércio, de alimentação, principalmente hotelaria, a concentração, a atenção, é muito importante para a gente vender mais. Então, a galera descansada, feliz com vida para além do trabalho, rende muito mais, atende melhor”, explica.

Impacto na Gestão de Pessoas e Custos Operacionais

Além do aumento da produtividade e do faturamento, a adoção da jornada 4×3 trouxe benefícios substanciais para a gestão de recursos humanos da Coffe Lab. A rotatividade de funcionários, conhecida como turnover, diminuiu drasticamente para um “ridículo” 8%, segundo Isabela Raposeiras.

Essa redução impacta diretamente os custos trabalhistas, uma vez que há menos gastos com rescisões e encargos. Com uma equipe mais engajada e menos propensa a faltas ou atestados, a necessidade de contratar trabalhadores temporários (freelancers) também diminuiu. “No Coffee Lab, a gente não contrata frila quase nunca, porque as pessoas não faltam mais, não tem mais atestado. Isso diminui muito o custo e aumenta a capacidade de venda, porque todo mundo que trabalha lá conhece bem a empresa, não tem ninguém muito novo”, destaca a fundadora.

O Bem-Estar do Trabalhador como Pilar do Sucesso

A perspectiva dos funcionários reforça a tese de Isabela Raposeiras. Tábata Lima de Oliveira, de 35 anos, funcionária da Coffe Lab, compartilha sua experiência. Antes de ingressar na empresa, Tábata trabalhava na escala 6×1, onde a única folga semanal era consumida pelo cansaço. “Praticamente, eu dormia o meu dia inteiro. Não conseguia sair, raramente saía, raramente tinha disposição para estudar. Tempo com a família? Muito pouco”, relata.

Os problemas de saúde mental eram uma realidade. Tábata chegou a desenvolver a síndrome de Burnout em um emprego anterior, sofrendo com insônia, crises de pânico e a necessidade de medicação. Com a jornada 4×3, sua qualidade de vida mudou radicalmente. “É menos tempo no transporte, menos dias no transporte público. Mais tempo de descanso, de cuidar de mim mesma, cuidar da minha cabeça, de ter lazer e de cuidar da minha própria casa”, afirma. Agora, ela consegue se dedicar à saúde, aos estudos, aos amigos e até realizar viagens nas folgas prolongadas.

O Debate Nacional e as Tendências Globais

O caso da Coffe Lab se insere em um contexto mais amplo de discussões sobre a modernização das relações de trabalho no Brasil. O Congresso Nacional, em conjunto com diversos setores da sociedade, tem debatido intensamente o fim da escala 6×1, buscando modelos que promovam maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

A experiência brasileira ecoa tendências globais. Em países da Europa, a redução da jornada de trabalho tem sido associada à manutenção de empregos e à não redução do Produto Interno Bruto (PIB), conforme apontam estudos. Em Portugal, por exemplo, 41 empresas já adotaram a escala 4×3, com resultados positivos que indicam uma mudança de paradigma no mercado de trabalho.

A história da Coffe Lab oferece um estudo de caso valioso, demonstrando que a inovação na gestão de pessoas, focada no bem-estar e na qualidade de vida dos trabalhadores, pode ser um motor poderoso para o crescimento econômico e a sustentabilidade empresarial. É um convite à reflexão para outras empresas e para os legisladores brasileiros sobre o futuro do trabalho no país.

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