O cerco internacional contra Victor Shimada
Áudios extraídos pela Polícia Federal do celular de Victor Henrique de Oliveira Shimada revelam o desespero do empresário diante do avanço das investigações sobre uma fraude milionária contra o Banco Votorantim. Em gravações datadas de agosto de 2024, Shimada confessa a um interlocutor o temor de que o caso tivesse atingido o radar do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos. O material, que agora compõe o acervo probatório da PF, detalha como o empresário acompanhava o rastreamento de suas operações financeiras internacionais.
A investigação apura um desvio superior a R$ 35 milhões ocorrido em agosto de 2024. Segundo as autoridades brasileiras, parte expressiva desses recursos foi convertida em criptomoedas e movimentada através da Victory Trading, empresa ligada ao investigado. O conteúdo dos áudios sugere que Shimada tinha plena consciência de que a complexidade da operação havia superado as fronteiras nacionais, tornando-se um alvo de interesse para agências globais de combate ao crime organizado.
A engrenagem das criptomoedas e o monitoramento
Nas conversas interceptadas, Shimada demonstra preocupação técnica com o rastro digital deixado por suas transações. Ele menciona especificamente o uso da corretora mexicana Bitso para converter valores em USDC, uma criptomoeda pareada ao dólar, facilitando a movimentação de capital para o exterior. “Os caras já estão sabendo de tudo, estão rastreando todas as wallets”, desabafou o empresário em um dos trechos, referindo-se ao monitoramento das carteiras digitais.
O empresário ainda descreve sua tentativa de antecipar-se às autoridades, chegando a planejar viagens ao México para negociar diretamente com representantes da corretora. O objetivo era tentar destravar contas que haviam sido bloqueadas por suspeitas de atividades ilícitas. A Polícia Federal aponta que essas trocas de mensagens confirmam a atuação ativa de Shimada na gestão de grandes volumes de ativos digitais, frequentemente utilizados para ocultar a origem de recursos ilícitos.
Conexões criminosas e sanções dos EUA
A situação jurídica de Victor Shimada agravou-se significativamente no início de julho de 2026, quando o governo dos Estados Unidos o incluiu em sua lista de sanções. O Departamento do Tesouro americano o aponta como um “elo-chave” em uma rede internacional de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC. Estima-se que o empresário tenha movimentado mais de 30 milhões de dólares — cerca de R$ 156 milhões — para a facção criminosa.
Além do caso envolvendo o Banco Votorantim, Shimada é réu em São Paulo por sua suposta participação como operador financeiro no escândalo de lavagem de dinheiro que envolve o contrato de patrocínio entre a VaideBet e o Corinthians. O acúmulo de processos e a pressão internacional colocam o empresário no centro de uma das maiores investigações sobre fluxos financeiros ilícitos no país nos últimos anos.
Posicionamento das instituições e desdobramentos
Em nota oficial, o Banco Votorantim (BV) esclareceu que identificou as movimentações irregulares em agosto de 2024, dentro de seus serviços de Banking as a Service (BaaS). A instituição afirmou ter adotado prontamente as medidas legais cabíveis, comunicando os fatos às autoridades e atuando como assistente de acusação no processo penal. A defesa de Shimada segue sendo procurada pelos veículos de imprensa para comentar as acusações.
O caso continua em fase de apuração, com a Polícia Federal analisando o vasto material apreendido nos dispositivos eletrônicos do empresário. Para acompanhar os desdobramentos desta investigação e outras notícias relevantes sobre segurança pública e economia, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, contextualizadas e com o rigor jornalístico que o seu dia a dia exige.