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Mercado de trabalho formal atinge 62,2 milhões de vínculos com forte alta no setor público

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado de trabalho formal no Brasil apresentou um cenário de expansão consolidada ao atingir a marca de 62,2 milhões de vínculos ativos em fevereiro de 2026. Os dados, extraídos da nova Relação Anual de Informações Sociais (Rais) Mensalizada e divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, revelam um crescimento de 3,6% no comparativo anual. Este avanço representa a criação de 2,17 milhões de novos postos de trabalho formais em apenas 12 meses, um reflexo das dinâmicas econômicas que marcam o início deste ano.

Protagonismo do setor público na geração de vagas

Um dos pontos centrais do relatório é o desempenho diferenciado entre o setor privado e o público. Enquanto o número de trabalhadores celetistas, regidos pela CLT, cresceu 2,2% no período, o setor público registrou uma expansão significativamente mais robusta, de 8,6%. Esse movimento resultou na criação de 1,09 milhão de novos postos de trabalho no funcionalismo, elevando o total de agentes públicos — que engloba servidores estatutários, contratados temporários e cargos comissionados — para 13,8 milhões.

A análise dos dados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 reforça essa tendência, com um salto de 7,81% nos vínculos públicos. Segundo o levantamento oficial, uma parcela expressiva dessas novas contratações, totalizando 886,9 mil, foi composta por profissionais admitidos por tempo determinado. Esse comportamento sazonal, comum no início do ano, também influenciou a retomada de atividades em diversos setores da economia privada após o período de férias coletivas.

Dinâmica regional e inclusão no mercado

O crescimento do emprego formal não ocorreu de maneira uniforme em todo o território nacional. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram as que apresentaram os maiores índices de crescimento proporcional, com altas de 4,16%, 3,27% e 2,70%, respectivamente. Em termos de volume absoluto, no entanto, estados como Minas Gerais e São Paulo continuam a liderar a geração de postos, com 271,2 mil e 148,5 mil novos vínculos registrados no período.

Outro aspecto relevante é a mudança no perfil da força de trabalho. A participação feminina no mercado formal cresceu 4,7% em um ano, alcançando 28,6 milhões de vínculos, o que elevou a representatividade das mulheres para 46,1% do total. Além disso, houve um avanço notável na inserção de jovens entre 18 e 24 anos, com a criação de 1,21 milhão de novos postos para essa faixa etária, além de um crescimento expressivo na ocupação de trabalhadores pretos, pardos e indígenas.

Desafios na análise de dados salariais

Apesar do otimismo com a geração de vagas, o Ministério do Trabalho e Emprego adotou cautela em relação às estatísticas salariais. O órgão identificou inconsistências nas informações enviadas pelos empregadores, o que levou à decisão de limitar a divulgação dos dados de remuneração até dezembro de 2025. Embora a massa salarial tenha registrado alta de 2,1%, passando para R$ 240,7 bilhões, o governo optou por aprofundar a análise técnica antes de prosseguir com novas atualizações da Rais Mensalizada.

O setor de serviços permanece como o principal motor da massa salarial no país, concentrando cerca de R$ 155 bilhões. A remuneração média mensal, calculada em R$ 4.369 ao final de 2025, reflete a complexidade de um mercado que, embora em expansão, enfrenta desafios de precisão nos registros e na formalização plena das rendas.

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