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Elio Gaspari avalia campanha de Lula para 2026: discursos vagos e desafios crescentes

Elio Gaspari avalia campanha de Lula para 2026: discursos vagos e desafios crescentes
2.ago.26/Folhapress

O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 já começa a ganhar contornos, e a performance do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua pré-campanha tem sido alvo de análises críticas. Em sua coluna de 4 de agosto de 2026, o jornalista Elio Gaspari apontou que Lula estaria “desperdiçando a campanha”, destacando a falta de substância em seus discursos e a repetição de temas, mesmo diante de um contexto político nacional e internacional complexo.

A avaliação de Gaspari se baseia em um discurso de 62 minutos proferido por Lula em uma reunião do Partido dos Trabalhadores (PT), onde, apesar do tempo extenso, o conteúdo apresentado foi considerado superficial e pouco impactante. Essa postura, segundo o colunista, revela uma desconexão com a urgência e a profundidade que uma campanha presidencial exige, especialmente para um presidente que busca a reeleição.

Discurso prolongado e promessas genéricas

Durante a reunião petista, Lula anunciou cinco compromissos que, na visão de Gaspari, carecem de clareza e concretude. Entre eles, a promessa de “resolver definitivamente o papel da educação” foi classificada como vazia, uma vez que o problema educacional do país não se resume a uma questão de “papel” mal definido, mas sim a desafios estruturais e de gestão. As demais propostas – criar um programa para idosos, fortalecer a indústria militar, manter a riqueza das terras raras “para os brasileiros” e desenvolver programas para a transição energética – foram descritas como “vagas generalidades”.

A história recente do Brasil oferece exemplos de como iniciativas ambiciosas, especialmente no setor militar, podem ter desfechos incertos. Gaspari recorda o sucesso da Embraer, mas contrapõe com o fracasso da fabricação do tanque Osório, que culminou na falência da Engesa. Este episódio, que incluiu uma declaração cética de Saddam Hussein a um embaixador brasileiro em 1993, serve como um alerta para a complexidade de transformar promessas genéricas em resultados tangíveis e bem-sucedidos.

Controvérsias e improvisos no palanque

A espontaneidade de Lula, muitas vezes vista como um trunfo, também foi apontada como um ponto fraco na análise de Gaspari. O jornalista destacou a tendência do presidente de improvisar, o que por vezes o leva a declarações inoportunas ou controversas. Um exemplo marcante foi a crítica aos advogados criminalistas, afirmando que eles “não sabem defender inocente, só sabem defender bandido”. Essa fala gerou ironia, dado que o próprio Lula, um ex-dirigente sindical, teve sua liberdade e a anulação de sentenças garantidas pela atuação de seu advogado, Cristiano Zanin.

Outro momento de improviso que chamou atenção foi o anúncio de Fernando Haddad como o próximo presidente após seu quarto mandato. Tal declaração, além de pressupor a reeleição de Lula, aposta na vitória de Haddad em São Paulo, um cenário que o histórico eleitoral do ex-ministro da Fazenda mostra ser desafiador. A repetição de um roteiro pessoal e a falta de alinhamento com a agenda da campanha, inclusive com a saída antecipada de parte da plateia por conta da duração do discurso, reforçam a percepção de uma estratégia desorganizada.

O histórico eleitoral de Fernando Haddad

A aposta de Lula em Fernando Haddad como seu sucessor natural é contextualizada por Gaspari com o histórico eleitoral do político. Haddad venceu a prefeitura de São Paulo em 2012, mas não conseguiu a reeleição em 2016. Em 2018, foi o candidato do PT à Presidência, perdendo para Jair Bolsonaro. Mais recentemente, em 2022, foi derrotado por Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo de São Paulo. A reedição do embate com Tarcísio em outubro de 2026 coloca Haddad novamente em uma posição de desafio, onde apenas a primeira de suas grandes disputas resultou em vitória.

Cenário político e interferências externas

A campanha de Lula 2026 se desenrola em um contexto inédito, marcado por interferências externas diretas. Presidentes como Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, têm fustigado o governo brasileiro com o objetivo explícito de influenciar o pleito. Essa intromissão, seja por meio de tarifas ou de declarações de baixo calão, representa um fator novo e desafiador para a política nacional, exigindo uma resposta estratégica e coesa por parte da campanha.

Internamente, a campanha de Lula reconhece as dificuldades em atrair eleitores indecisos e converter votos de outros candidatos em um eventual segundo turno. Uma pesquisa recente da BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira, indicou uma queda na diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno, de nove para quatro pontos, com um empate técnico projetado para o segundo turno. Diante desse cenário apertado, a estratégia de Lula de buscar um “Lulinha porreta” em vez de um “Lulinha paz e amor” pode não ser suficiente para romper as barreiras eleitorais que se apresentam.

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