A corrida eleitoral pelo governo do Pará em 2026 apresenta um cenário peculiar, onde a tradicional polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ocupa um papel secundário. Em um estado marcado por profundas divisões regionais e econômicas, os principais candidatos, Hana Ghassan (MDB) e Dr. Daniel (Podemos), concentram seus esforços em conquistar o eleitorado conservador do sul e sudeste paraense, regiões onde o agronegócio, a mineração e o garimpo ditam o ritmo da economia.
A estratégia de aproximação com o setor produtivo
O Pará vive um momento de transição importante, especialmente após sediar a COP30, evento que colocou o estado no centro das atenções ambientais globais. Nesse contexto, a pauta econômica tornou-se o eixo central das campanhas. Tanto Hana Ghassan quanto Dr. Daniel têm desenhado propostas que visam atrair o setor agropecuário, prometendo investimentos em infraestrutura rodoviária e a implementação de benefícios fiscais para impulsionar a produção local.
Essa movimentação reflete a necessidade de dialogar com as potências econômicas do interior do estado. Enquanto o norte paraense, incluindo a região do Marajó, mantém uma tendência histórica de voto alinhada à esquerda, o sul e o sudeste do Pará consolidaram-se como redutos de influência bolsonarista. A disputa, portanto, exige um equilíbrio delicado para que os candidatos consigam transitar entre essas duas realidades distintas sem alienar suas bases de apoio.
Cenário eleitoral e a influência das legendas
De acordo com a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 27 de julho, Hana Ghassan lidera com 24% das intenções de voto, seguida de perto por Dr. Daniel, que registra 20%. O empate técnico, considerando a margem de erro de três pontos percentuais, mantém a disputa em aberto. Em um eventual segundo turno, o cenário permanece acirrado, com 36% para a atual governadora contra 35% para o candidato do Podemos.
Curiosamente, a presença dos partidos nacionais nas chapas majoritárias é discreta. Hana Ghassan, apoiada pela influente família Barbalho, tem em sua chapa Dirceu Ten Caten (PT) como vice, enquanto Dr. Daniel conta com Ellayne D’Almeida (PL). No entanto, o material de campanha de ambos evita o uso ostensivo das figuras de Lula e Flávio Bolsonaro, priorizando a identidade local e a gestão administrativa em detrimento do alinhamento ideológico nacional.
Impactos de episódios extraoficiais na campanha
Além da disputa por votos no setor produtivo, a campanha tem sido marcada por rumores e episódios de baixo nível, incluindo a circulação de um suposto vídeo íntimo envolvendo um dos candidatos. Até o momento, a estratégia das campanhas tem sido de contenção. A equipe de Dr. Daniel tem buscado minimizar o impacto do vazamento do suposto conteúdo extraconjugal, enquanto a governadora Hana Ghassan tem optado por não explorar o tema publicamente, focando em sua trajetória política e na continuidade do projeto liderado pelo ex-governador Helder Barbalho.
O debate sobre o futuro do estado, que passa por desafios de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, segue como o principal termômetro para o eleitor. Para acompanhar os desdobramentos desta eleição e entender como o cenário político paraense impacta o desenvolvimento da região amazônica, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, com a seriedade e a credibilidade que o momento exige.