O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) utilizou o espaço da sabatina promovida pela TV Globo, realizada neste sábado (29), para apresentar parte de suas diretrizes de governo. Entre as propostas de maior impacto, o médico e escritor defendeu uma carga tributária superior a 50% para as casas de apostas esportivas, as chamadas bets, como estratégia para reforçar o caixa do governo federal.
Propostas econômicas e a polêmica das apostas
Durante a entrevista, Cury estabeleceu um comparativo entre a tributação atual do setor de apostas e a de outros itens essenciais da economia brasileira. Segundo o candidato, enquanto as bets pagam 12% de imposto, produtos básicos como alimentos e energia elétrica sofrem incidências maiores, de 18% e até 33%, respectivamente. Para o presidenciável, elevar a alíquota das apostas para um patamar acima de 50% geraria uma economia significativa aos cofres públicos.
Apesar da ênfase na taxação, o candidato evitou detalhar planos estruturais para a redução da dívida pública ou apresentar um cronograma fiscal robusto. Ao ser questionado pelos âncoras do Jornal Nacional sobre a viabilidade técnica de suas propostas, Cury manteve um discurso focado em mudanças administrativas e tecnológicas, sem aprofundar os impactos macroeconômicos de suas medidas.
Reestruturação da máquina pública e tecnologia
Outro ponto central da fala de Cury foi a intenção de enxugar a estrutura ministerial do país. O candidato afirmou que pretende reduzir o número de pastas para um total entre oito e dez ministérios. Contudo, ele não especificou quais áreas seriam fundidas ou extintas, gerando questionamentos sobre a operacionalidade da gestão.
Em contrapartida, o presidenciável propôs a criação de uma secretaria executiva voltada exclusivamente para a robótica e a inteligência artificial. Segundo Cury, essa estrutura seria fundamental para preparar o Brasil diante dos desafios do envelhecimento populacional e da perda do bônus demográfico, prevenindo, segundo ele, um cenário de desemprego em massa causado pela automação.
Telemedicina e conflitos de interesse
Um dos momentos de maior tensão na sabatina ocorreu quando o candidato foi confrontado sobre sua proposta de ampliar o atendimento remoto no SUS para 80% das consultas. Os entrevistadores questionaram a relação entre a medida e o fato de Cury ter sido sócio e embaixador de uma empresa de telemedicina.
O candidato negou qualquer conflito de interesses, argumentando que sua experiência no setor privado o capacita a implementar o modelo de forma barata e eficiente no sistema público. Ao ser confrontado com a informação de que ainda constava como embaixador da empresa em canais oficiais, Cury afirmou que a situação deveria ser corrigida imediatamente.
O candidato, que atualmente registra 2% das intenções de voto segundo a última pesquisa Datafolha, busca se posicionar como uma alternativa fora do eixo tradicional da política. O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos da corrida eleitoral de 2026, trazendo análises, entrevistas e o contexto necessário para que você, leitor, acompanhe a disputa pelo Palácio do Planalto com credibilidade e profundidade.