Em meio ao acirrado debate eleitoral de 2026, o rótulo de “forasteiro” tem sido utilizado como munição política contra figuras de destaque, como Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado. No entanto, uma análise detalhada dos dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que a presença de postulantes nascidos fora do território paulista está longe de ser uma exceção: trata-se de um fenômeno que abrange 24,1% do total de registros para o pleito deste ano.
Perfil migratório reflete a demografia paulista
O levantamento aponta que, dos 2.549 registros de candidatura recebidos pelo TSE, 615 pessoas nasceram em outras unidades da federação ou no exterior. Esse índice de quase um quarto dos candidatos guarda uma semelhança direta com a própria composição demográfica de São Paulo. Segundo o Censo de 2022, realizado pelo IBGE, cerca de 20% dos moradores do estado — o que representa mais de 9 milhões de pessoas — são migrantes de outras regiões do país ou nascidos fora do Brasil.
Historicamente, São Paulo consolidou-se como o principal polo de atração populacional do país. Embora o ritmo dos fluxos migratórios tenha sofrido alterações nas últimas décadas, a diversidade de origens permanece como uma marca registrada do estado. A Bahia lidera o ranking de origem dos candidatos nascidos fora de São Paulo, com 109 registros, seguida de perto por Minas Gerais, com 101. Paraná, Pernambuco e Rio de Janeiro também aparecem com números expressivos entre os postulantes.
Distribuição das candidaturas e diversidade
A maior concentração de candidatos “forasteiros” encontra-se na disputa pela Assembleia Legislativa (Alesp), com 320 concorrentes, seguida pela Câmara dos Deputados, com 281 nomes. O grupo também inclui três candidatos ao governo paulista — entre eles o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) —, cinco nomes ao Senado, um candidato a vice-governador e cinco postulantes a suplências de senador.
Além da diversidade regional, o pleito de 2026 traz uma peculiaridade internacional: sete brasileiros naturalizados que nasceram em países como Coreia do Sul, Síria, Argentina, Cuba, Portugal, Itália e China. Em termos de gênero e raça, o perfil dos 615 candidatos nascidos fora de São Paulo é composto por 401 homens e 214 mulheres. Quanto à autodeclaração racial, 334 se identificam como brancos, 182 como pardos, 84 como pretos, oito como indígenas e sete como amarelos.
A presença expressiva desses candidatos reforça o papel de São Paulo como um estado que, ao longo de sua história, absorveu diferentes culturas e sotaques. Enquanto o debate político utiliza a origem como estratégia de diferenciação, os números mostram que a representatividade nas urnas caminha, em grande medida, alinhada à realidade de uma população formada por pessoas de todos os cantos do Brasil.
O M1 Metrópole segue acompanhando de perto o desenrolar das eleições de 2026, trazendo análises aprofundadas, dados oficiais e o contexto necessário para que você compreenda os impactos das decisões políticas no seu dia a dia. Continue conosco para mais informações sobre o cenário eleitoral e outros temas relevantes para o país.