PUBLICIDADE

Violência nas escolas: 71,7% dos gestores apontam dificuldade em dialogar sobre o tema

uma pesquisa sobre clima escolar realizada com 136 gestores de 105 escolas públi
Reprodução Agência Brasil

O ambiente escolar brasileiro enfrenta um desafio estrutural que vai muito além das salas de aula. De acordo com um levantamento recente realizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), 71,7% dos gestores de escolas públicas relatam dificuldades significativas em promover o diálogo sobre o enfrentamento a violências. O estudo, que ouviu 136 gestores de 105 instituições municipais e estaduais, coloca em evidência a fragilidade das redes de proteção no combate a problemas como bullying, racismo e capacitismo.

educação: cenário e impactos

A barreira da naturalização e a complexidade do ambiente escolar

Para o pesquisador Adriano Moro, coordenador do estudo, o enfrentamento dessas situações exige mais do que protocolos; demanda preparo e apoio contínuo. Um dos maiores obstáculos identificados é a naturalização de comportamentos agressivos, muitas vezes tratados por adultos como meras “brincadeiras”. Essa percepção diminui a gravidade dos episódios e pode resultar na omissão da escola, deixando os estudantes desamparados justamente quando mais precisam de intervenção.

Além disso, o contexto externo influencia diretamente o cotidiano das unidades de ensino. Muitas escolas operam em territórios marcados pela violência, o que sobrecarrega as equipes gestoras. A dificuldade em integrar famílias e a comunidade local ao projeto pedagógico acaba isolando a instituição, que se vê obrigada a lidar sozinha com tensões que possuem raízes profundas na sociedade.

O uso genérico do termo bullying e a invisibilidade de preconceitos

Outro ponto crítico levantado pela pesquisa é a utilização indiscriminada do termo bullying. Segundo Moro, ao rotular qualquer conflito como tal, a escola corre o risco de esconder problemas específicos que exigem abordagens distintas, como o racismo, a xenofobia, a violência de gênero e o capacitismo. A falta de uma nomeação correta impede que a instituição desenvolva estratégias eficazes de combate a cada tipo de discriminação.

O estudo aponta que um clima escolar positivo é a base para a prevenção. Quando a escola consegue estabelecer relações de confiança, respeito e escuta ativa, ela deixa de agir apenas de forma reativa. O objetivo é transitar para uma cultura de convivência onde os estudantes se sintam seguros para relatar abusos e onde os conflitos sejam mediados com justiça e responsabilidade.

Diagnóstico e o desafio da gestão escolar

A pesquisa revela um cenário de desorganização estratégica: mais da metade das escolas ouvidas (54,8%) nunca realizou um diagnóstico estruturado do seu clima escolar. Esse levantamento é considerado pelos especialistas como uma etapa essencial para orientar políticas públicas de convivência. Sem dados concretos sobre a realidade local, as ações tornam-se genéricas e pouco efetivas.

A sobrecarga dos profissionais de ensino também é um fator determinante. Com a gestão escolar frequentemente voltada para a resolução de urgências diárias, o planejamento preventivo acaba ficando em segundo plano. Embora 67,6% das unidades possuam equipes dedicadas a melhorias no clima escolar, a eficácia dessas ações ainda esbarra na falta de tempo e recursos para um acompanhamento contínuo dos estudantes.

Impacto direto no desempenho pedagógico

A relação entre o bem-estar emocional e a aprendizagem é direta. O estudo reforça que o clima escolar influencia o desempenho pedagógico, uma vez que estudantes acolhidos e respeitados desenvolvem maior confiança para aprender. O medo de errar, muitas vezes alimentado por um ambiente hostil, é um dos maiores inibidores do desenvolvimento intelectual e social dos jovens.

Para subsidiar novas políticas, o governo federal recriou um grupo de trabalho (GT) focado no combate ao bullying e ao preconceito, conforme detalhado pela Agência Brasil. O grupo tem o prazo de 120 dias para apresentar propostas que ajudem as escolas a transformar o ambiente de convivência em um espaço de proteção e desenvolvimento.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos das políticas públicas de educação e o impacto dessas medidas na rotina das escolas brasileiras. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que moldam o futuro da nossa sociedade com transparência e profundidade.

Leia mais

PUBLICIDADE