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Belluzzo questiona foco no endividamento público e envia análise à campanha de Lula

Belluzzo questiona foco no endividamento público e envia análise à campanha de Lula
Mathilde Missioneiro/Folhapress

A visão desenvolvimentista no debate econômico

Em um momento de intensas discussões sobre a trajetória fiscal do país, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos nomes mais influentes no pensamento econômico do PT e da esquerda brasileira, apresentou um contraponto relevante. Nesta quinta-feira (6), o professor enviou um documento de seis páginas à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, questionando o que considera ser uma preocupação exagerada com o crescimento da relação dívida/PIB.

O material foi produzido a pedido de José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo petista. A iniciativa ocorre em meio a um debate interno no governo sobre os rumos da política fiscal, que coloca em lados distintos a ala política do partido e a equipe econômica liderada pelo Ministério da Fazenda.

Críticas aos agentes de mercado e ao teto de gastos

No texto, Belluzzo utiliza um tom incisivo para criticar o que chama de “catastrofistas de mercado”. Segundo o economista, a insistência em políticas de austeridade rígidas, como o corte de auxílios emergenciais para manter o teto de gastos, seria um erro estratégico. Para ele, essa abordagem atua como uma “receita infalível para prorrogar a depressão da pandemia”.

O professor argumenta que não há evidências históricas robustas que sustentem a tese de que o endividamento governamental em moeda nacional seja o gatilho para crises financeiras. “Em minhas peregrinações pelos labirintos da história do capitalismo não encontrei sequer um fiapo de memória denunciando uma crise monetário-financeira provocada pelo endividamento excessivo dos governos em moeda nacional”, escreveu.

O embate entre a política e o mercado financeiro

O documento de Belluzzo chega em um cenário onde o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem se esforçado para manter a confiança dos investidores. O titular da pasta tem realizado reuniões constantes com instituições financeiras para conter ruídos gerados por declarações de Gabrielli, que defende maior flexibilidade fiscal para o próximo ano. A divergência reflete a tensão entre a necessidade de manter a estabilidade das contas públicas e o desejo do PT de ampliar os investimentos estatais.

Em entrevista, Belluzzo esclareceu que sua análise não é um ataque direto a Durigan ou ao ministro Fernando Haddad. Ele interpreta a atuação da equipe econômica como uma tentativa de “acordo” com o mercado financeiro. Para o professor, o arcabouço fiscal foi uma resposta técnica para evitar ataques especulativos, mas ele alerta que o debate sobre o endividamento tornou-se uma “crença não removível”, onde o gasto público é tratado como um “crime contra o funcionamento da economia”.

Perspectivas para a política fiscal

Enquanto o governo busca equilibrar as expectativas, o Ministério da Fazenda estuda medidas para frear a relação dívida/PIB, que atingiu 81,1% em maio. Entre as propostas em discussão, está a redução do limite anual de aumento de gastos, que poderia cair de 2,5% para 1,5% acima da inflação. O debate permanece aberto e deve ditar o tom da campanha e da gestão econômica nos próximos meses.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos da política econômica brasileira e os bastidores das decisões que impactam o futuro do país. Continue conosco para análises aprofundadas, notícias atualizadas e o contexto completo dos temas que movem o cenário nacional.

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