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Dólar atinge menor valor em um mês, fechando a R$ 5,07; Ibovespa mantém estabilidade

Dólar atinge menor valor em um mês, fechando a R$ 5,07; Ibovespa mantém estabilidade
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O cenário econômico brasileiro registrou movimentos importantes nesta terça-feira (21), com o dólar em queda acentuada, alcançando seu menor patamar em mais de um mês, e a bolsa de valores mantendo-se praticamente estável. A desvalorização da moeda americana, que fechou a R$ 5,07, foi influenciada por uma combinação de fatores domésticos e internacionais, destacando a atratividade dos juros brasileiros e a valorização global do petróleo.

Enquanto o mercado de câmbio reagia a essas pressões, o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão com uma leve variação, mas registrou sua quinta queda consecutiva, refletindo um ambiente de baixa liquidez e incertezas geopolíticas que, apesar de não derrubarem o índice, limitaram seu potencial de alta. A dinâmica do petróleo, por sua vez, continuou a ser um vetor crucial, impulsionando moedas de países exportadores como o Brasil.

Juros altos e petróleo impulsionam queda do dólar

A cotação do dólar comercial recuou 0,31%, fechando a R$ 5,073, o menor valor de fechamento desde 15 de junho. Esse movimento de desvalorização da moeda americana em relação ao real é um reflexo direto de dois pilares econômicos: a política de juros altos praticada no Brasil e a valorização internacional do petróleo.

Os juros elevados no país continuam a atrair o chamado carry trade, um tipo de operação financeira em que investidores transferem capitais de economias com taxas de juros baixas para mercados emergentes, como o Brasil, em busca de retornos mais vantajosos. Esse fluxo de capital estrangeiro aumenta a oferta de dólares no mercado doméstico, pressionando a cotação para baixo.

Paralelamente, a escalada dos preços do petróleo no mercado global beneficia diretamente o Brasil, um exportador líquido da commodity. Com a valorização do barril, o país melhora seus termos de troca, o que fortalece o real e o coloca em destaque entre as moedas emergentes, registrando o segundo melhor desempenho no dia, atrás apenas do peso colombiano.

Ibovespa em estabilidade e o papel da Petrobras

Apesar da volatilidade observada no câmbio, o Ibovespa encerrou o dia com uma leve queda de 0,03%, atingindo 173.325,65 pontos. A sessão foi marcada por uma liquidez reduzida, com um giro financeiro de R$ 17,9 bilhões, valor significativamente abaixo da média diária registrada ao longo do ano. Essa baixa movimentação pode indicar uma postura mais cautelosa dos investidores diante do cenário.

As ações da Petrobras, que possuem grande peso no índice, desempenharam um papel crucial na contenção de perdas. Acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional, os papéis ordinários da estatal subiram 1,43%, enquanto os preferenciais valorizaram-se 1,24%. Esse desempenho positivo da Petrobras ajudou a equilibrar o índice, evitando uma queda mais acentuada.

Em contraste com o mercado doméstico, os principais índices acionários em Nova York fecharam em alta, impulsionados principalmente pelo setor de tecnologia. Essa divergência demonstra como o mercado brasileiro ainda se mantém sensível a incertezas geopolíticas e ao volume de negócios, mesmo com fatores positivos como a queda do dólar e a alta do petróleo.

Tensões no Oriente Médio impulsionam preços do petróleo

Os contratos internacionais de petróleo registraram forte alta, impulsionados pela persistência dos riscos à oferta global decorrentes do conflito no Oriente Médio. O barril de Brent, referência para a Petrobras, avançou 2%, fechando a US$ 91,01. Já o barril de WTI, negociado no Texas, subiu 2,25%, encerrando a US$ 84,34.

A principal fonte de pressão sobre os preços continua sendo as ameaças do grupo rebelde Houthi à navegação no Estreito de Bab-el-Mandeb, uma rota marítima estratégica para o transporte mundial de petróleo. O bloqueio ou a interrupção do fluxo nessa região, somado às novas ofensivas militares entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, eleva o prêmio de risco do produto, impactando diretamente os mercados globais.

Essas tensões geopolíticas criam um ambiente de incerteza sobre a disponibilidade futura de petróleo, levando os investidores a precificarem um risco maior de interrupções no fornecimento. Para o Brasil, como exportador, essa dinâmica se traduz em um fortalecimento do real e um impulso para empresas ligadas à commodity, como a Petrobras, mas também acende um alerta sobre a volatilidade do cenário internacional.

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