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Pulmão negro: doença respiratória fatal ressurge entre mineiros nos EUA

Pulmão negro: doença respiratória fatal ressurge entre mineiros nos EUA

A pneumoconiose dos mineiros de carvão, popularmente conhecida como “doença do pulmão negro”, está vivenciando um alarmante ressurgimento nos Estados Unidos, especialmente na região dos Apalaches. Esta condição pulmonar, potencialmente fatal, provoca falta de ar progressiva e insuficiência respiratória, impactando a vida de trabalhadores que dedicam décadas à extração de carvão.

A situação é tão grave que, segundo dados recentes, a prevalência da doença atingiu níveis não vistos desde a década de 1970, revertendo um período de declínio que durou anos. O cenário atual não apenas preocupa especialistas em saúde ocupacional, mas também levanta questões sobre a segurança e as condições de trabalho nas minas americanas.

O ressurgimento alarmante da pneumoconiose

Um estudo divulgado em agosto de 2026 pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH) revelou que um em cada três mineiros na região dos Apalaches, com mais de 25 anos de serviço, sofre de pneumoconiose. Este dado é considerado “bastante alarmante” por Scott Laney, coautor do estudo e epidemiologista, que observa a gravidade da situação.

A prevalência da doença tem crescido consistentemente desde os anos 2000, após ter atingido níveis historicamente baixos graças à implementação de normas rigorosas que visavam limitar a exposição à poeira de carvão. O retrocesso observado indica falhas nas medidas de proteção ou a emergência de novos fatores de risco que desafiam as regulamentações existentes.

Sílica: o novo vilão nas minas de carvão

A principal responsável pelo ressurgimento da doença do pulmão negro é a sílica, uma substância que se mostra até 20 vezes mais tóxica que o próprio carvão. Com o esgotamento das jazidas de carvão de acesso mais fácil, as empresas de mineração passaram a perfurar rochas mais profundamente, um processo que libera finas partículas de sílica no ar.

Essa maior exposição à sílica não só acelera o desenvolvimento da doença, como também leva a formas mais graves, conforme explica Laney. Casos de fibrose maciça progressiva, a manifestação mais severa da pneumoconiose, são diagnosticados em mineiros cada vez mais jovens. Lisa Emery, diretora de uma clínica especializada em Oak Hill, relata ter pacientes com pouco mais de 30 anos já com a forma mais grave da doença, alguns aguardando transplante duplo de pulmão – a única solução para os quadros mais críticos. “Já não é a doença do avô. É a doença do seu marido. É a doença do seu filho”, alerta Emery, sublinhando a mudança no perfil dos afetados.

Batalha regulatória e a voz dos mineiros

Diante da crescente crise, a agência americana responsável pela segurança nas minas (MSHA) adotou em 2024 uma nova norma para reduzir o limite de exposição à sílica, buscando um patamar considerado mais seguro por cientistas. Contudo, associações do setor de mineração recorreram à Justiça, alegando que os padrões para verificar o cumprimento da norma eram excessivamente rígidos.

Um tribunal federal de apelações suspendeu a norma, que nunca chegou a entrar em vigor, e a MSHA adiou sua implementação por tempo indeterminado. A National Mining Association, principal entidade das empresas de mineração, afirma apoiar “sem ressalvas” o novo limite de exposição, mas discorda da “forma” prevista para cumpri-lo, segundo sua porta-voz Ashley Burke. Ela argumenta que os novos casos não refletem as condições atuais das minas, que teriam melhorado “exponencialmente” nas últimas duas décadas.

No entanto, um estudo do Appalachian Citizens’ Law Center (ACLC), uma ONG dedicada à defesa dos mineiros, contradiz essa visão, mostrando que uma em cada cinco minas inspecionadas pela MSHA em 2025 apresentava níveis perigosos de poeira de sílica. Em algumas delas, o nível era mais que o dobro do limite proposto pela norma suspensa. Gary Hairston, presidente de uma associação de mineiros doentes e ele próprio vítima da doença, denuncia que as empresas “sabem muito bem como enganar os inspetores” e que “não se importam com os mineiros”, focando apenas na produção de carvão. O NIOSH, por exemplo, oferece informações detalhadas sobre a doença e sua prevenção.

Para Debbie Wills, que acompanha mineiros doentes há quase quatro décadas, a situação é ainda mais lamentável por se tratar de uma doença “100% evitável”. “Ninguém precisa sofrer com essa doença”, enfatiza, ressaltando que, sem as medidas de prevenção adequadas, os mineiros continuarão a desenvolver a condição. A luta pela segurança e saúde desses trabalhadores permanece um desafio crucial, exigindo um equilíbrio entre a produção industrial e a proteção da vida humana.

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