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Entenda por que a doença de Lito Sousa não deve ser confundida com o mal da vaca louca

Entenda por que a doença de Lito Sousa não deve ser confundida com o mal da vaca louca
O quadro costuma começar com demência, perda de memória e tremores, e evolui com outros sinais neurológicos que afetam diferentes regiões do cérebro simultaneamente Existem quatro formas conhecidas de DCJ

O diagnóstico do influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Músicas, trouxe à tona discussões sobre a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Após a revelação feita por sua esposa, o termo passou a ser amplamente buscado, gerando confusões frequentes com a chamada “doença da vaca louca”. Embora ambas pertençam à mesma família de patologias, elas possuem origens e características distintas.

Entendendo as doenças priônicas

A DCJ e a encefalopatia espongiforme bovina (EEB), popularmente conhecida como “vaca louca”, são classificadas como doenças priônicas. Elas são causadas por príons, proteínas que, ao assumirem uma forma anormal, provocam a degeneração progressiva das células cerebrais. O termo “espongiforme” deriva justamente do aspecto que o tecido cerebral adquire após a destruição dos neurônios, assemelhando-se a uma esponja.

Diogo Haddad, chefe do Centro Especializado em neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, esclarece que, apesar da origem comum, não se trata da mesma condição. A DCJ é uma enfermidade neurodegenerativa rara e, até o momento, sem cura, que evolui de forma progressiva no organismo humano.

As formas de manifestação da DCJ

A ciência identifica quatro formas principais da doença de Creutzfeldt-Jakob. A mais prevalente é a esporádica, que responde por cerca de 85% dos casos e surge de maneira espontânea, sem uma causa externa identificável. As outras modalidades incluem a hereditária, ligada a mutações genéticas; a iatrogênica, resultante de procedimentos médicos raros; e a variante (vDCJ).

É justamente a variante (vDCJ) que estabelece a conexão com a “vaca louca”. Ela foi identificada na década de 1990, no Reino Unido, em indivíduos expostos a produtos bovinos contaminados pelo agente da EEB. É fundamental ressaltar que, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, nunca houve registros de casos dessa variante específica no Brasil.

Diferenças nos sintomas e no perfil dos pacientes

O padrão de manifestação dos sintomas é um dos diferenciais entre as formas da doença. Na variante associada ao consumo de carne contaminada, os primeiros sinais costumam ser psiquiátricos ou comportamentais, como depressão, ansiedade e alterações de personalidade, atingindo geralmente pacientes mais jovens. Já na forma esporádica, a deterioração cognitiva e neurológica rápida — incluindo perda de memória, tremores e desorientação — costuma ser o marco inicial.

No Brasil, o perfil dos pacientes com DCJ esporádica reflete uma faixa etária mais avançada, concentrando-se entre 55 e 74 anos. Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 1.576 notificações de casos suspeitos analisadas, 547 foram confirmadas. Estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná concentram o maior número de registros, seguindo a distribuição populacional e a capacidade de diagnóstico do sistema de saúde.

A evolução da doença é, infelizmente, célere. A literatura médica aponta que cerca de 90% dos pacientes evoluem para óbito em um período que varia de seis meses a um ano após o início dos sintomas. O caso de Lito Sousa, que compartilhou publicamente sua jornada, reforça a importância do debate sobre doenças raras e o suporte necessário às famílias.

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