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Disputa de 17 anos sobre território quilombola em Minas Gerais chega ao Trf-6

Disputa de 17 anos sobre território quilombola em Minas Gerais chega ao Trf-6
Gabriela Echenique

O impasse jurídico sobre a terra de Machadinho

O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) iniciou nesta quinta-feira (13) o julgamento de uma ação que pode ser decisiva para o futuro da comunidade quilombola Machadinho, localizada em Paracatu, Minas Gerais. O processo, que se arrasta há 17 anos, coloca em xeque a interpretação judicial sobre o reconhecimento de territórios tradicionais no Brasil e promete estabelecer um precedente importante para casos similares em todo o país.

A disputa central gira em torno de uma sentença de primeira instância, proferida em 2014, que negou o reconhecimento do território. Na ocasião, o magistrado exigiu que a comunidade apresentasse provas documentais de resistência armada ou de fugas de pessoas escravizadas para validar sua ancestralidade. Essa exigência é considerada um retrocesso por especialistas e movimentos sociais, que apontam uma incompatibilidade direta com o marco jurídico atual e com as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conflito entre interpretações judiciais e a Constituição

A defesa da associação que representa os moradores de Machadinho argumenta que a sentença de 2014 ignora o critério da autoatribuição, um pilar fundamental reconhecido pela Constituição Federal e pelo STF. Para os advogados, a exigência de provas históricas restritivas tenta substituir o reconhecimento técnico — realizado por órgãos como a Fundação Cultural Palmares e o Incra — por uma visão jurídica superada.

O advogado Guilherme Pereira Dolabella Bicalho, que atua no caso, reforça que a comunidade busca apenas o cumprimento da lei. “A comunidade não pede privilégio. Pede que a Constituição seja cumprida e que o reconhecimento técnico da Fundação Cultural Palmares e do Incra não seja substituído por uma interpretação já rejeitada pelo Supremo”, afirmou.

A morosidade do processo e o impacto social

O caso de Machadinho é emblemático da lentidão burocrática que afeta comunidades tradicionais. O processo administrativo no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) teve início em 2005, mas permanece sem conclusão até hoje. Na esfera judicial, a ação foi ajuizada em 2009 e, desde a sentença desfavorável de 2014, o recurso aguarda uma definição definitiva pelo tribunal.

A expectativa é que o julgamento no TRF-6 traga um desfecho que harmonize a situação fundiária da região com o entendimento consolidado pela Corte Suprema, que garante a propriedade definitiva aos remanescentes de quilombos que ocupam suas terras ancestrais. A decisão desta quinta-feira não apenas afeta as famílias de Paracatu, mas sinaliza como o Judiciário brasileiro tratará, daqui em diante, as demandas por titulação de terras quilombolas em todo o território nacional.

O M1 Metrópole segue acompanhando o desdobramento deste julgamento e os impactos para as comunidades tradicionais mineiras. Continue conectado ao nosso portal para obter atualizações sobre este e outros temas que moldam a realidade do país, sempre com o compromisso de levar até você uma informação apurada, contextualizada e de qualidade.

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