O montante de recursos esquecidos por brasileiros e empresas em instituições financeiras voltou a crescer, atingindo a marca de R$ 5,65 bilhões em julho. Os dados, atualizados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (8), revelam uma inversão na tendência de queda observada em meses anteriores, quando o estoque havia sido impactado por remanejamentos para programas governamentais de renegociação de dívidas.
A maior parte desse montante, cerca de R$ 4,25 bilhões, está retida em contas de 23,57 milhões de pessoas físicas. O restante, R$ 1,40 bilhão, é de titularidade de aproximadamente 2,19 milhões de empresas. O Sistema de Valores a Receber (SVR) é a única plataforma oficial disponibilizada pelo Banco Central para que os cidadãos verifiquem se possuem quantias a resgatar.
Perfil dos valores e origem dos recursos
Embora o volume total seja bilionário, a distribuição dos valores revela que a grande maioria dos beneficiários tem direito a quantias modestas. Segundo o levantamento do BC, quase 70% dos usuários possuem entre R$ 0,01 e R$ 10 a receber. Apenas uma parcela pequena, de 2,22%, tem valores superiores a R$ 1 mil.
Esses recursos, muitas vezes ignorados pelos correntistas, têm origens variadas. Entre as causas mais comuns estão contas bancárias encerradas que ainda mantinham saldo, tarifas cobradas indevidamente pelas instituições, cotas de cooperativas de crédito e sobras de consórcios que foram finalizados, mas não tiveram o valor integral retirado pelos participantes.
Distribuição entre as instituições financeiras
A concentração dos valores esquecidos reflete a estrutura do sistema financeiro nacional. Os bancos tradicionais detêm a maior fatia do montante, com R$ 2,38 bilhões sob sua custódia. Logo atrás, as administradoras de consórcio aparecem com R$ 1,96 bilhão, seguidas pelas cooperativas de crédito, que somam R$ 762,7 milhões.
Desde o lançamento do SVR, o Banco Central já intermediou a devolução de mais de R$ 16 bilhões aos seus respectivos titulares. Somando o valor já resgatado ao estoque atual, o sistema identificou um total de R$ 21,8 bilhões em recursos que estavam ou ainda estão esquecidos no sistema financeiro, evidenciando a relevância da ferramenta para a saúde financeira da população.
Segurança e prevenção contra fraudes
Com a popularização do sistema, o Banco Central reforça um alerta crítico: o serviço de consulta e resgate é totalmente gratuito. A instituição enfatiza que não envia mensagens de texto, e-mails ou links via aplicativos de mensagens solicitando dados pessoais ou senhas. Qualquer tentativa de cobrança de taxa para “liberar” valores a receber deve ser tratada como tentativa de golpe.
Para realizar o resgate com segurança, o cidadão deve utilizar apenas o site oficial do BC. Após a consulta inicial com CPF ou CNPJ, o processo exige uma conta Gov.br de nível prata ou ouro. Desde maio de 2025, foi implementada a funcionalidade de resgate automático, que permite que os valores sejam depositados diretamente na chave Pix cadastrada, facilitando o processo para quem possui a conta verificada.
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