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Dieta baby GAPS ganha força nas redes, mas especialistas alertam para riscos graves na infância

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O perigo das dietas restritivas na primeira infância

A busca por métodos de alimentação que prometem saúde plena tem levado pais a adotar protocolos controversos para bebês em fase de introdução alimentar. Entre as tendências que circulam nas redes sociais, a chamada baby GAPS, uma adaptação de um método criado originalmente para adultos, tem gerado preocupação entre pediatras e nutricionistas. O protocolo, que exclui grupos alimentares essenciais como grãos e laticínios, carece de respaldo científico e pode comprometer o desenvolvimento infantil em uma fase crucial da vida.

A metodologia, popularizada por meio de livros e fóruns online, foca em uma dieta baseada majoritariamente em caldos, sopas de carne e o uso intensivo de probióticos. A premissa central, que defende a exclusão de “toxinas” para melhorar a imunidade e o desenvolvimento neurológico, não encontra eco nas diretrizes das principais sociedades de pediatria do mundo. Especialistas alertam que a restrição severa de nutrientes pode levar a deficiências graves e prejuízos no crescimento dos pequenos.

Ausência de evidências e riscos ao desenvolvimento

A gastropediatra Camila Torga de Lima e Silva, do Hospital Israelita Albert Einstein, é enfática ao desaconselhar a prática. Segundo a médica, não existem ensaios clínicos que validem a eficácia ou a segurança da dieta GAPS para crianças. “As sociedades de gastroenterologia e nutrição pediátrica não recomendam seu uso. Pelo contrário, alertam que dietas altamente restritivas podem acarretar riscos nutricionais significativos, como a restrição calórica e a falta de micronutrientes essenciais”, explica.

Além dos riscos nutricionais, a adoção do protocolo pode prejudicar o desenvolvimento motor oral do bebê. A insistência em alimentos excessivamente pastosos, sem a progressão natural de texturas recomendada pelos especialistas, pode atrasar a adaptação da criança à mastigação e à aceitação de novos sabores e consistências, elementos fundamentais para a formação de um paladar saudável e diversificado.

O papel dos carboidratos e a janela imunológica

Um dos pontos mais críticos da dieta é a exclusão de alimentos como feijão e glúten. Ao contrário do que pregam os defensores do método, as diretrizes pediátricas atuais incentivam a introdução desses itens a partir dos 6 meses. A exclusão do glúten, por exemplo, não tem benefício preventivo para crianças saudáveis e deve ser restrita apenas a casos diagnosticados de doença celíaca.

A restrição severa de carboidratos, frequentemente associada a correntes como a “dieta carnívora”, é vista como um erro grave pelos especialistas. “Os carboidratos constituem a principal fonte de energia na infância. O cérebro infantil possui uma demanda elevada por glicose, e a restrição pode comprometer o aprendizado, a atenção e o desempenho cognitivo”, pontua a médica. A única recomendação consensual é a exclusão do açúcar, que deve ser evitado nos dois primeiros anos de vida para prevenir obesidade e doenças cardiovasculares.

A importância da introdução alimentar equilibrada

A recomendação das autoridades de saúde é clara: a introdução alimentar deve ser gradual, variada e natural. A partir dos 6 meses, o bebê deve ter contato com uma ampla gama de vegetais, frutas, cereais e proteínas. A introdução de alimentos potencialmente alergênicos, como ovo e amendoim, dentro da chamada janela imunológica, é, inclusive, uma estratégia recomendada para reduzir o risco de alergias futuras.

Para garantir que o seu bebê receba as informações mais seguras e baseadas em evidências sobre nutrição e saúde, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você conteúdos apurados, contextualizados e fundamentados, ajudando a navegar pelos desafios da parentalidade com responsabilidade e clareza. Acesse Sociedade Brasileira de Pediatria para conferir as diretrizes oficiais de alimentação infantil.

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